Para além da exploração dos recursos naturais, o Moçambique procura reforçar a sua atratividade económica através da melhoria da fluidez das trocas comerciais. As autoridades têm vindo a intensificar ações para modernizar as infraestruturas que sustentam o comércio regional.
O Governo moçambicano autorizou o lançamento de concursos internacionais para a concessão do porto seco de Moatize, na província de Tete, bem como dos postos de fronteira de balcão único de Calómuè e Zóbwè. Estas infraestruturas serão desenvolvidas no âmbito de parcerias público-privadas (PPP), com o objetivo de mobilizar capital privado e aproveitar a experiência técnica de operadores especializados.
O porto seco de Moatize deverá reforçar as capacidades de manuseamento, armazenamento e distribuição de mercadorias no centro do país, consolidando a província de Tete como uma plataforma logística estratégica. Já os postos de fronteira de Calómuè e Zóbwè deverão facilitar o comércio transfronteiriço, reduzir os tempos de passagem de mercadorias e melhorar a integração do Moçambique nos corredores comerciais regionais.
Foi também aprovado um contrato de parceria público-privada para um Sistema Integrado de Gestão e Monitorização dos Transportes Rodoviários (SIGMTR). O projeto abrange a conceção, financiamento, operação e manutenção do sistema, com eventual transferência para o Estado no final da concessão.
Estas iniciativas inserem-se numa estratégia mais ampla de otimização dos corredores logísticos moçambicanos, que inclui a expansão da capacidade portuária, a reabilitação da rede ferroviária, o desenvolvimento de plataformas logísticas multimodais, a modernização dos terminais de carga, a digitalização dos procedimentos aduaneiros e a implementação de soluções inteligentes de gestão da cadeia de abastecimento.
Esta estratégia surge num contexto em que o país procura afirmar-se como um hub logístico na África Austral, enquanto as dificuldades operacionais registadas nos últimos anos em algumas infraestruturas sul-africanas evidenciam a necessidade de diversificar os principais eixos de transporte e abastecimento na região.
Vários projetos estruturantes já estão em curso. O porto de Maputo está a beneficiar de um programa de expansão apoiado por um investimento de 165 milhões de dólares anunciado pela DP World. Em paralelo, o Governo prossegue a modernização do porto da Beira, principal saída marítima do corredor central.
No setor ferroviário, cerca de 218 milhões de dólares estão a ser mobilizados para modernizar a ligação Maputo–África do Sul, enquanto o posto fronteiriço de Ressano Garcia, principal ponto de passagem entre os dois países, continua a ser requalificado.
No entanto, o sucesso desta estratégia dependerá da capacidade do país para atrair investimento de forma sustentável, manter um enquadramento regulatório estável e garantir uma execução eficaz dos projetos. A concorrência dos corredores sul-africanos, tanzanianos e namibianos continuará também a representar um desafio para a rentabilização das novas infraestruturas.
Henoc Dossa













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