Egito: inauguração de novo terminal de contentores em Ain Sokhna reforça estratégia portuária
A abertura de um novo terminal de contentores em Ain Sokhna representa mais um passo na estratégia portuária do Egito. Com base em parcerias internacionais e infraestruturas de grande capacidade, o Cairo pretende reforçar o seu posicionamento nas principais rotas do comércio marítimo e captar uma fatia maior dos fluxos entre Ásia, Europa e África.
O Egito inaugurou oficialmente, na quinta-feira, 15 de janeiro de 2025, o novo terminal de contentores do porto de Ain Sokhna, após uma fase de testes técnicos iniciada em dezembro de 2025. Com cais totalizando cerca de 2.600 metros lineares e um calado de 18 metros, o terminal pode acomodar navios de muito grande porte, com até 400 metros de comprimento. Estas características posicionam Ain Sokhna entre as plataformas portuárias capazes de captar os fluxos de mega porta-contentores, num contexto de crescimento do transporte marítimo global.
A infraestrutura estratégica é operada por um consórcio formado pela Hutchison Ports e COSCO Shipping Ports, dois grandes grupos chineses do setor portuário, assim como pela armadora francesa CMA CGM. O terminal integra o amplo programa de modernização do porto de Ain Sokhna, visto como um elo central do corredor logístico integrado Sokhna-Alexandria. Este corredor pretende ligar o Mar Vermelho ao Mediterrâneo através de uma rede combinando portos, zonas industriais e conexões terrestres, reforçando o papel do Egito como hub logístico regional e ponte entre Ásia, África e Europa.
Este projeto é um dos pilares da estratégia nacional “Visão 2030”, promovida pelo Ministério dos Transportes do Egito, que prevê um investimento de cerca de 300 mil milhões de libras egípcias (aproximadamente 6,35 mil milhões de USD) no desenvolvimento do setor marítimo. A estratégia assenta em três eixos principais: expansão das infraestruturas portuárias, com a construção de 70 km de cais com profundidades entre 18 e 25 metros e aumento da área portuária para mais de 100 milhões de m²; reforço da frota nacional, prevista para atingir 40 navios até 2030; e estabelecimento de parcerias estratégicas com grandes operadores internacionais do transporte marítimo.
A médio prazo, a consolidação da plataforma de Ain Sokhna pode acelerar a recomposição das rotas logísticas no Norte de África e no Mar Vermelho, num contexto de forte concorrência entre hubs regionais. Marrocos, outro gigante da região, também realiza investimentos massivos para se afirmar como a principal plataforma para os fluxos que transitam pela região.
Henoc Dossa













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