País sem saída para o mar, o Mali está a diversificar os seus acessos marítimos para assegurar os seus abastecimentos e reduzir as suas restrições logísticas. Num contexto regional de tensões políticas e perturbações nos corredores comerciais, Bamaco aposta na cooperação com a Guiné para criar um novo eixo de trânsito.
O Mali e a Guiné estão a consolidar a sua cooperação logística. Na quarta-feira, 28 de janeiro, o Conselho de Ministros do Mali aprovou um decreto que autoriza a cedência gratuita de uma reserva de terreno de 10 hectares ao país vizinho, destinada à construção de infraestruturas de armazenamento e transporte relacionadas com o uso do porto de Conacri.
Esta decisão enquadra-se no âmbito de acordos bilaterais em matéria de transporte e trânsito marítimo e rodoviário, que garantem a Bamaco o direito de uso da plataforma guineense, com a atribuição de áreas portuárias dedicadas e facilidades de tratamento para mercadorias importadas ou exportadas. Paralelamente, Conacri já colocou à disposição do seu vizinho um terreno de 20 hectares em Kankan para os Armazéns Malianos na Guiné, reforçando a base logística deste novo eixo.
O objetivo de Bamaco é, nomeadamente, diversificar as suas rotas de abastecimento e reduzir a sua dependência dos corredores tradicionais via os portos de Dacar e Abidjão. Estas iniciativas foram tomadas num contexto em que o Mali enfrenta, desde há alguns meses, uma vulnerabilidade na sua cadeia de abastecimento, causada pelas sanções da CEDEAO após o golpe de Estado do regime militar atualmente no poder. A situação tinha enfraquecido o comércio através destes eixos tradicionais.
Em 2024, o porto de Dacar, que concentra a maior parte dos fluxos de importação e exportação do país, movimentou 2,6 milhões de toneladas em trânsito para o Mali, num tráfego global de 24,5 milhões de toneladas, segundo dados oficiais.
O uso do corredor guineense, no entanto, não está isento de desafios. A eficácia do eixo Conacri – Bamaco dependerá do estado das infraestruturas rodoviárias, da fluidez dos procedimentos aduaneiros, da segurança do transporte nos troços interiores e da capacidade do porto de Conacri em absorver volumes adicionais sem risco de congestionamento. A isso junta-se a necessidade de uma coordenação operacional estreita entre administrações, transportadores e agentes logísticos.
Todos estes fatores são determinantes para que esta alternativa estratégica vá além do âmbito diplomático e se imponha como uma verdadeira rota comercial sustentável para o Mali.
Henoc Dossa













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