Perante um mercado de trabalho em que mais de 40% dos diplomados guineenses permanecem sem emprego um ano após concluírem os estudos, a Guiné faz do capital humano o segundo pilar da sua transformação industrial.
A Guiné quer agora fazer dos talentos locais os verdadeiros motores de Simandou 2040. Esta foi a orientação afirmada pelo ministro da Educação, da Alfabetização, do Ensino Técnico e da Formação Profissional, Alpha Bacar Barry, durante o Salão dos Empreendedores e do Emprego da Guiné (SADEN), na quinta-feira, 4 de junho, em Conacri. Aí defendeu a visão do Estado em matéria de formação profissional, durante a sessão plenária dedicada à preparação da mão de obra das micro, pequenas e médias empresas (MPME) para o Simandou 2040.
O SADEN constitui uma plataforma anual de diálogo entre governo, setor privado e especialistas do desenvolvimento. A sua quinta edição, aberta na quarta-feira, 3 de junho, tem como tema central «Simandou 2040, a hora das pequenas e médias empresas».
Um sistema de formação a reorientar
Segundo as autoridades, o sucesso do projeto Simandou passará também pelos centros de formação e pelas fileiras técnicas. O ministro sublinhou as reformas em curso no seu departamento para modernizar a oferta pedagógica e reforçar as parcerias com o setor privado. Destacou em particular «a necessidade de construir um sistema mais orientado para as necessidades reais do mercado de trabalho, nomeadamente nos setores estratégicos ligados à industrialização, aos serviços, às infraestruturas e às profissões técnicas».
Três grandes desafios estruturaram as discussões. O primeiro é a empregabilidade dos jovens face às mudanças tecnológicas. O segundo é a capacidade das MPME de se integrarem nas cadeias de valor geradas pelo Simandou. O terceiro é o papel do conteúdo local como alavanca de aumento de competências. Namory Camara, diretor-geral da Agência Guineense de Desenvolvimento, apelou a «construir uma economia baseada na transformação e na criação de valor em vez da simples extração de matérias-primas», segundo os relatórios do SADEN.
Reformas nacionais já em curso
O governo não parte do zero. Em julho de 2025, o Ministério do Ensino Técnico, da Formação Profissional e do Emprego (METFPE) validou, com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Estratégia Nacional de Aprendizagem Profissional de Qualidade 2026-2030. Este quadro visa profissionalizar a aprendizagem tradicional e desenvolver a formação em alternância, tanto nos setores formais como informais. O representante do Bureau Internacional do Trabalho (BIT) saudou esta iniciativa como «uma alavanca essencial para acompanhar todos os grandes projetos da Guiné, nomeadamente o Simandou 2040», segundo um comunicado da OIT publicado em julho de 2025.
Em complemento, o plano Simandou 2040 prevê a criação de uma Simandou Academy, dedicada à qualificação local em engenharia, gestão de projetos e agricultura sustentável. Uma unidade de coordenação, instituída por decreto em dezembro de 2025 e colocada sob a autoridade direta do chefe de Estado, é responsável por acelerar a sua implementação.
Esta iniciativa surge num contexto em que a Guiné enfrenta desequilíbrios estruturais persistentes no seu mercado de trabalho. Segundo o Observatório Nacional do Trabalho (ONT), a taxa de desemprego dos jovens entre os 15 e os 24 anos atingia 7,3% em 2025. Mais preocupante ainda, cerca de 34% são classificados como NEET, ou seja, nem em emprego, nem em estudos, nem em formação. O desemprego dos diplomados ultrapassava 40% nesse mesmo ano, segundo um relatório do ONT publicado em julho de 2025. O setor mineiro já emprega cerca de 90% de trabalhadores guineenses, mas os seus efeitos de arrastamento sobre empregos qualificados continuam limitados. O desafio do Estado é alargar este leque muito para além da mineração, rumo às MPME e aos serviços que estruturam a economia local.
Félicien Houindo Lokossou













Johannesburg