Segundo o relatório de 2024 do índice de igualdade de género da CEDEAO, a Côte d’Ivoire destacou-se com bons resultados na educação e no acesso às tecnologias. O país situa-se num nível intermédio superior em saúde, com uma pontuação de 0,889.
A Côte d’Ivoire está classificada em primeiro lugar em matéria de igualdade de género na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), com uma pontuação de 0,708, superior à média regional de 0,640.
O anúncio foi feito na quarta-feira, 29 de abril, pelo governo marfinense, após o Conselho de Ministros. Este resultado provém do relatório de 2024 do índice de igualdade de género da CEDEAO, o primeiro instrumento regional de avaliação das desigualdades de género no espaço comunitário da África Ocidental.
O índice de igualdade de género (IEG) da CEDEAO é uma ferramenta multidimensional que mede as disparidades entre homens e mulheres nos países membros. Abrange áreas como educação, emprego, acesso aos recursos, saúde, tecnologia, bem como liderança e tomada de decisão. O seu cálculo baseia-se em 38 indicadores que permitem avaliar a paridade nesses setores.
O índice fixa o valor de referência em 1, símbolo de paridade perfeita entre mulheres e homens. «Um valor inferior a 1 indica uma desigualdade a favor dos homens, enquanto um valor superior a 1 traduz uma desigualdade a favor das mulheres», precisa o relatório IEG-CEDEAO.
«A Côte d’Ivoire destaca-se particularmente no domínio da educação, com uma pontuação de 0,948, bem como na tecnologia (0,739). O país situa-se num nível intermédio superior em saúde (0,889), no emprego e rendimentos (0,737) e no acesso aos recursos (0,627)», sublinha o comunicado do governo marfinense.
Reformas e programas com resultados concretos
O governo da Côte d’Ivoire implementa uma série de políticas e programas estruturantes para reduzir as desigualdades de género, desde a capacitação económica das mulheres até à promoção da sua participação política. Estes esforços apoiam-se em financiamentos dedicados, reformas institucionais e ações sociais concretas.
Como exemplo, destaca-se o Fundo de Apoio às Mulheres da Côte d’Ivoire (FAFCI), um programa de financiamento de projetos que permitiu a 340.000 mulheres aderentes tornarem-se mais autónomas e realizadas. Esta iniciativa reforçou a resiliência das mulheres face à pobreza.
No plano político, a lei de 2019 impõe uma quota de 30% de mulheres nas instâncias de decisão.
Além disso, a Política Nacional sobre Igualdade, Equidade e Género (PNEEG 2024-2030), avaliada em 3,1 mil milhões de francos CFA (5,5 milhões de dólares), visa dois objetivos essenciais: a integração efetiva da dimensão de género em todos os setores da vida pública e privada, bem como a mudança de mentalidades e comportamentos em prol do respeito pelos direitos das mulheres e dos homens, das raparigas e dos rapazes nas suas especificidades, segundo um comunicado do governo.
Algumas pontuações noutros países da CEDEAO
Segundo o relatório IEG-CEDEAO, o Senegal ocupa a segunda posição com uma pontuação de 0,684, destacando-se no acesso às tecnologias e na liderança feminina. O Gana surge em terceiro lugar (0,679), seguido do Togo (0,673) e da Gâmbia, que fecha o top 5 com uma pontuação de 0,671.
Por outro lado, a Libéria (0,584; 15.º) e o Benim (0,584; 14.º) ocupam as últimas posições, apresentando os resultados mais baixos, devido a desempenhos modestos no emprego, na liderança e no acesso das mulheres às tecnologias.
Lydie Mobio













Abuja, Nigeria