O país dos Negus poderá atingir um nível inédito em termos de receitas de exportação este ano — um objetivo sustentado pelo crescimento do setor manufatureiro e por uma estratégia assumida de substituição de importações.
A Etiópia está prestes a alcançar 10 mil milhões de dólares em receitas de exportação no ano fiscal 2025-2026. O anúncio foi feito em Adis Abeba, durante a abertura da 4.ª exposição «Made in Ethiopia», realizada no domingo, 3 de maio, segundo a Ethiopian News Agency (ENA).
De acordo com as autoridades, esta previsão assenta no dinamismo do setor industrial, em particular da indústria transformadora, que registou um crescimento de 10,7% no exercício em curso. No setor da defesa, por exemplo, o país afirma ter ultrapassado a fase de autossuficiência e iniciado a exportação de produtos militares para vários países africanos.
Uma estratégia industrial orientada para a soberania
A médio prazo, Adis Abeba ambiciona produzir as suas próprias máquinas industriais, condição considerada essencial para alcançar uma soberania económica plena. «O tempo em que se produzia apenas para o mercado interno acabou», declarou o primeiro-ministro Abiy Ahmed, apelando aos industriais para se orientarem para os mercados africanos e melhorarem a sua competitividade, ao mesmo tempo que combatem o contrabando e a corrupção.
Nesse sentido, foram identificados 96 produtos a serem fabricados localmente para reduzir as importações, com projetos de expansão, nomeadamente na indústria cerâmica. Esta estratégia é acompanhada por um esforço significativo de relançamento industrial.
No total, 993 unidades de produção anteriormente paradas retomaram a atividade, contribuindo para a criação de empregos e para o alargamento da base exportadora. Paralelamente, o país afirma ter atraído 3.680 novos investidores para o setor manufatureiro desde o lançamento desta política voluntarista.
Esta dinâmica insere-se num contexto em que a Etiópia iniciou, desde julho de 2024, um programa de reformas destinado a corrigir desequilíbrios macroeconómicos, com efeitos já visíveis na taxa de câmbio, nas receitas públicas, nas exportações e na inflação. Assim, o Grupo do Banco Mundial aprovou um financiamento de mil milhões de dólares no âmbito de uma segunda operação de apoio às políticas de desenvolvimento, destinada a acompanhar a transição para um crescimento mais inclusivo e mais impulsionado pelo setor privado.
No quadro da estratégia «Made in Ethiopia», Adis Abeba procura consolidar o seu aparelho produtivo local para dinamizar as exportações e reduzir a dependência das importações. Nos últimos quatro anos, o país gerou 14,5 mil milhões de dólares em bens de substituição de importações, com a ambição de duplicar este volume a médio prazo.
Para 2026, o crescimento económico do país está projetado em 9,2%, segundo o FMI.
Carelle Yourann (estagiária)













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