Por Sr. Jacques Assahoré Konan, Ministro do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Sustentável e da Transição Ecológica, e Sra. Blerta Cela, Representante Residente do PNUD na Costa do Marfim.
Imagine um país onde o Oceano Atlântico encontra enormes lagoas, onde os manguezais abrigam espécies raras e onde praias douradas se estendem até onde a vista alcança. Esse país existe: é a Costa do Marfim. Com ecossistemas marinhos e lagunares excepcionais e um patrimônio natural único na África Ocidental, este país é uma joia, tanto para a biodiversidade quanto para o desenvolvimento econômico.
Mas este tesouro é frágil, ameaçado pela sobreexploração da pesca, pela poluição das lagoas, pela destruição dos manguezais e pelos impactos das mudanças climáticas. No entanto, esses desafios podem se transformar em uma oportunidade histórica para redefinir não apenas o destino da Costa do Marfim, mas também do continente africano como um todo.
Há alguns meses, em uma localidade do centro do país que perdeu mais de 80% de suas florestas naturais nas últimas cinquenta anos, jovens agricultores replantavam hectares de floresta degradada. Um deles confidenciou: "Antes, íamos procurar trabalho em outro lugar.
Há alguns meses, em uma localidade do centro do país que perdeu mais de 80% de suas florestas naturais nas últimas cinquenta anos, jovens agricultores replantavam hectares de floresta degradada. Um deles confidenciou: "Antes, íamos procurar trabalho em outro lugar.
Hoje, é a floresta que nos sustenta". Essa cena ilustra, por si só, a transformação em curso no país: um modelo em que a proteção ambiental se torna motor de crescimento, emprego e estabilidade social.
Combater ativamente as mudanças climáticas
Em outubro de 2025, a Costa do Marfim adotou a 3ª edição de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (CDN 3.0), fruto de um trabalho e de uma liderança coletiva que marcam seu compromisso renovado de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 33% até 2035, podendo chegar a 74% com apoio internacional. Este roteiro, elaborado pelo Governo e por seus parceiros técnicos e financeiros — incluindo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) — reflete a visão de um país que acredita que desenvolvimento e sustentabilidade não se opõem, mas se reforçam mutuamente.
Essa visão baseia-se em políticas concretas: aumentar a participação de energias renováveis para 46,3% até 2035; restaurar 1,5 milhão de hectares de florestas e proteger a biodiversidade; promover uma economia azul e circular, valorizando recursos marinhos e resíduos, e colocar a igualdade de gênero no centro de toda política climática.
Uma abordagem integrada que torna a Costa do Marfim um país pioneiro na África Ocidental, capaz de combinar crescimento, inclusão e resiliência.
Incentivar um crescimento econômico sustentável
O exemplo emblemático dessa ambição é o programa Costa do Marfim Azul. Ele transforma a visão nacional inscrita no Plano Nacional de Desenvolvimento 2026-2030 em ação concreta. Seu objetivo é fazer do litoral marfinense um modelo mundial de crescimento econômico sustentável.
Assim, o programa Costa do Marfim Azul contribuirá para valorizar três novas Áreas Marinhas Protegidas, incluindo Grand-Béréby, uma localidade situada na costa sudoeste do país, cobrindo 30% das zonas marinhas sensíveis até 2035, garantindo a pesca sustentável e preservando os ecossistemas. Também permitirá restaurar manguezais e florestas costeiras: 5.000 hectares recuperados para absorver carbono, proteger contra a erosão e fortalecer a resiliência das comunidades.
As oportunidades econômicas são reais: com investimentos estratégicos, a economia azul poderia gerar mais de um bilhão de dólares em receitas anuais adicionais até 2035 e criar mais de 200.000 empregos diretos e indiretos nas áreas costeiras.
As oportunidades econômicas são reais: com investimentos estratégicos, a economia azul poderia gerar mais de um bilhão de dólares em receitas anuais adicionais até 2035 e criar mais de 200.000 empregos diretos e indiretos nas áreas costeiras
Os setores agrícolas sustentáveis, como café e cacau, já contribuem com 15% do PIB e 40% da receita de exportação, e a expansão do ecoturismo e da economia circular promete um impulso adicional para o desenvolvimento nacional.
O financiamento inovador está no coração deste programa: títulos azuis, créditos de carbono, parcerias público-privadas, combinando ambição pública e engajamento do setor privado, com monitoramento rigoroso para garantir impacto real sobre a biodiversidade e as comunidades locais. O investimento previsto é de 378 milhões de dólares.
Um protagonismo africano assumido
Na COP 30 em Belém, a delegação marfinense, representada pelo Ministro das Relações Exteriores e do Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Transição Ecológica, defendeu uma posição firme: a transição ecológica global não pode ocorrer sem a África nem sem a Costa do Marfim, enquanto os países do continente, entre os menos emissores, permanecem paradoxalmente os mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas.
A delegação defendeu uma reconfiguração estratégica dos instrumentos de financiamento climático, colocando o mercado de carbono e a economia circular como pilares de uma arquitetura mais inclusiva, justa e eficaz.
Nessa visão, a transição verde deixa de ser uma limitação para se tornar uma oportunidade estratégica de modernizar a infraestrutura nacional, criar empregos para os jovens e estimular uma nova dinâmica de inovação.
Nessa visão, a transição verde deixa de ser uma limitação para se tornar uma oportunidade estratégica de modernizar a infraestrutura nacional, criar empregos para os jovens e estimular uma nova dinâmica de inovação.
Embora a COP 30 não tenha marcado um ponto de virada decisivo na implementação do Acordo de Paris, permitiu à Costa do Marfim afirmar sua voz no cenário climático internacional. Mais importante, consolidou uma visão agora assumida: tornar o país um farol de resiliência, inovação e prosperidade compartilhada — um território onde ecoturismo e economia azul podem melhorar concretamente a vida das comunidades. Um território onde cada lagoa, cada manguezal e cada ecossistema se torna uma contribuição tangível para um futuro sustentável, tanto para os povos quanto para o planeta.













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