Nadine Tinen, CEO da VINKA, firma pan-africana multidisciplinar de serviços intelectuais, argumenta que a retirada de grandes empresas internacionais da África francófona deve acelerar o surgimento de atores locais, capazes de mesclar excelência profissional e conhecimento do terreno.
A VINKA oferece uma gama de competências, com práticas que vão desde direito, fiscalidade, auditoria, risk assurance, estratégia, organização e transformação, e em seis meses, já atendeu a mais de cinquenta instituições em setores variados.
Escrito por: VINKA Nadine Tinen, CEO da VINKA, uma firma pan-africana multidisciplinar de serviços intelectuais, apoia nesta tribuna que a retirada das grandes empresas internacionais da África francófona deve acelerar o surgimento de atores locais. Esses atores devem ser capazes de combinar excelência profissional e domínio do terreno.
Desde 2023, diversas empresas internacionais deixaram simultaneamente uma dezena de países da África francófona, desde Camarões até Senegal, passando pela RDC e Madagascar.
Esse movimento não é uma simples readjuste estratégico: é um marco histórico. Com muita frequência, os projetos estruturantes do continente são criados e geridos a partir do exterior. A partida gradativa das grandes empresas ocidentais ressalta uma verdade inevitável: a África precisa depender de seus próprios recursos para garantir suas reformas, acompanhar suas transições e construir instrumentos de soberania econômica.
Essa divisão destaca uma dependência antiga de redes em que decisões e análises são feitas fora do continente
Auditoria de projetos, reformas fiscais, estruturação jurídica e fiscal de investimentos, consultoria em fusões/aquisições para citar apenas alguns — essas áreas têm sido frequentemente tratadas por atores por vezes desconectados das realidades locais.
Em vez de apenas criticar, é hora de construir alternativas. É com este objetivo que a VINKA assume as atividades da PwC, seguindo a retira das empresas da África francófona Subsaariana da rede global. Ao aderir a essa dinâmica, ex-sócios e colaboradores da PwC, em particular em Camarões e Benin, optam por criar uma marca fortemente enraizada no continente. Sua ambição é combinar padrões internacionais, excelência profissional e operacional, ética rigorosa e compreensão do contexto africano.
A VINKA se destaca por reunir diversas especialidades — direito, fiscalidade, auditoria, risk assurance, estratégia, organização e transformação — para oferecer um acompanhamento global. Atuamos de forma integrada na fiscalidade estratégica, no direito comercial, na estruturação de parcerias público-privadas, em auditoria, como comissários de contas, e em consultoria organizacional e transformacional. Estamos presentes em Camarões e Benin, e estamos construindo uma rede pan-africana para responder às necessidades de empresas, estados e instituições. Em seis meses, auxiliamos mais de cinquenta instituições em diferentes setores: energia, mineração, agroalimentação, finanças, telecomunicações, indústria de produção, varejo e setor público.
Nossa abordagem não se limita a respostas técnicas: ela é baseada na coconstrução.
Trabalhar o mais próximo possível das organizações e governos para desenvolver soluções sustentáveis, adaptadas e compartilhadas está no cerne de nossa prática. Queremos coescrever o futuro com atores econômicos e institucionais, garantindo e liberando iniciativas africanas através de expertise e proximidade.
Nossa convicção é simples: a expertise não deve mais ser apenas exógena; ela deve ser desenvolvida localmente, próxima às realidades econômicas e administrativas. Ser uma firma pan-africana não significa fazer pior, mas fazer diferente: compreender as reais margens de manobra fiscais, as regulamentações comunitárias e as lógicas institucionais para desenhar soluções viáveis em ambientes específicos e por vezes restritos.
A necessidade é imensa: a África tem um déficit de investimento em infraestrutura de cerca de 100 bilhões de dólares por ano.
As demandas por governança, ESG, conformidade, auditoria de projetos financiados por doadores e transformação digital são enormes.
No entanto, muitas tarefas ainda são confiadas a estruturas estrangeiras, apesar das alternativas credíveis. Essa é a alternativa que estamos fortalecendo.
A consultoria é uma ferramenta de apoio à tomada de decisões estratégicas e uma alavanca para soberania - reflete a capacidade das economias africanas de dialogar de igual para igual com os padrões globais e envolve a compreensão de nossos próprios instrumentos de análise.
Fundações já existem: a OHADA, com seu direito comercial harmonizado entre dezessete países, proporcionou clareza e segurança jurídicas; normas IFRS e as regras de Basiléia são aplicadas em muitos países, apoiadas por reguladores locais credíveis. Esses sucessos mostram que a África pode desenvolver padrões robustos; ainda precisamos que a expertise técnica e a excelência operacional sigam o mesmo caminho.
Segundo várias fontes, o mercado de consultoria de gestão na África está crescendo de 5 a 7% ao ano e atingindo mais de 2 bilhões de dólares, sinal de maturidade crescente e grande expectativa para atores capazes de conciliar excelência técnica e enraizamento local.
Com 75% de sua população com menos de 35 anos, a África tem um capital humano móvel, treinado e ambicioso, que merece estruturas nas quais se projetar. Consultoria, auditoria e direito não devem mais ser percebidos como competências importadas, mas como áreas de excelência dirigida por atores africanos, em um espírito de rigidez, responsabilidade e serviço.
Iniciativas lideradas por homens e mulheres convencidos estão se multiplicando, mas precisamos acelerar: são agora que os modelos africanos de consultoria estão sendo construídos, e eles devem ser elaborados com talentos do continente.
A África não pode mais esperar. Ela tem a capacidade; agora, ela precisa da confiança.













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