Em África, Marrocos é um dos países que mais gastam em importações de produtos agroalimentares. Esta característica faz dele um mercado estratégico, cobiçado por numerosos fornecedores estrangeiros, como os Estados Unidos.
Marrocos figura entre os 7 países prioritários do programa americano «Food for Progress» para o exercício fiscal de 2026. Esta iniciativa, que beneficia de um orçamento superior a 226 milhões de dólares, é conduzida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), através do seu serviço de desenvolvimento dos mercados agrícolas (FAS).
Segundo as informações publicadas no seu site, o USDA indica que os outros países visados são Bangladesh, Bolívia, Equador, Filipinas, Sri Lanka e Tailândia.
Do que se trata?
Concretamente, o mecanismo baseia-se na compra de produtos agrícolas americanos junto de produtores locais nos Estados Unidos. Esses produtos são depois vendidos nos mercados dos países beneficiários, e as receitas geradas são reinvestidas em projetos de desenvolvimento agrícola, reforço das cadeias de valor e melhoria das infraestruturas que favorecem o desenvolvimento económico e as oportunidades comerciais para os Estados Unidos.
De forma geral, o programa tem um duplo objetivo: melhorar a produtividade agrícola nos países parceiros e reforçar os mercados para os produtos agrícolas americanos. Trata-se de um mecanismo híbrido que combina ajuda ao desenvolvimento com promoção comercial. Para o exercício de 2026, os projetos financiados pelo Food for Progress em cada país serão implementados ao longo de um período de 5 anos, com um financiamento entre 28 e 35 milhões de dólares cada.
Embora, por agora, os domínios de investimento visados em Marrocos ainda não sejam conhecidos, sabe-se que Rabat sai de um ciclo de sete anos de seca e continua motivado por desafios ligados à produtividade, adaptação climática e segurança das cadeias de valor. O programa poderá, assim, apoiar iniciativas focadas na irrigação, agricultura inteligente e melhoria do acesso aos mercados.
Por seu lado, Washington poderá aproveitar a oportunidade para aumentar as suas exportações agrícolas para o mercado do terceiro maior importador africano de produtos alimentares, depois do Egito e da Argélia, segundo a CNUCED. Num relatório publicado em julho de 2025, a organização das Nações Unidas indica que Marrocos importou, em média, 8,7 mil milhões de dólares em produtos alimentares por ano entre 2021 e 2023.
Stéphanas Assocle













Palais des Expositions, Alger (Safex)