A cebola é um dos produtos alimentares de base mais exportados no seio da CEDEAO. O Níger e a Nigéria são os principais protagonistas do comércio intra-regional deste produto.
O comércio de cebola entre a Nigéria e o Gana foi plenamente retomado. A informação foi avançada à Agência Ecofin por Aliyu Maitasamu Isah, presidente da Associação Nigeriana de Produtores, Transformadores e Distribuidores de Cebola (NOPPM).
No início do mês de abril, a associação decidiu suspender as suas exportações de cebola para o Gana, na sequência de divergências com alguns sindicatos de comerciantes que exigiam que os volumes habitualmente destinados à Associação de Vendedores de Cebola de Accra lhes fossem atribuídos.
Perante os protestos dos membros da indústria nigeriana, que reivindicavam o direito de comerciar livremente com os parceiros da sua escolha, as tensões atingiram o auge com a apreensão de 15 dos seus camiões no mercado de Kotoku, em Accra.
Esta situação levou a NOPPM a impor restrições, condicionando a retoma do comércio de cebola com o Gana à devolução das mercadorias confiscadas.
«Com a crise, o Alto-Comissário da Nigéria no Gana e o ministro ganês do Comércio intervieram. Reuniram-se e recordaram aos sindicatos ganeses que existem regras estabelecidas que enquadram o comércio internacional desde as regras da Organização Mundial do Comércio até à Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZLECAf), passando pelo Esquema de Liberalização do Comércio da CEDEAO. Não se podem simplesmente criar regras próprias e ignorar estes enquadramentos. O ministro ganês do Comércio acabou por ordenar que as cebolas nigerianas fossem descarregadas e devolvidas. Assim aconteceu, e o comércio foi retomado. O diferendo comercial sobre a cebola entre a Nigéria e o Gana está agora resolvido», explicou o responsável.
«Sempre mantivemos excelentes relações com o Gana»
Embora este diferendo ilustre os desafios associados ao comércio agrícola intra-regional, o responsável sublinha que se trata de um episódio a ultrapassar. «Sempre mantivemos excelentes relações com o Gana. Comerciamos com eles há 30 a 40 anos sem grandes dificuldades, até este incidente. Felizmente, as autoridades ganesas tomaram medidas positivas para restabelecer uma coexistência pacífica entre todos os que fazem negócios no país», afirmou.
Sendo um importador líquido de cebola para satisfazer uma procura crescente impulsionada por grandes centros urbanos como Accra, Kumasi e Takoradi, o Gana constitui um mercado importante para os fornecedores da sub-região, incluindo a Nigéria, que é o segundo maior produtor da África Ocidental, depois do Níger.
«O Gana é extremamente importante para nós. É um dos maiores mercados para a cebola nigeriana na África Ocidental, provavelmente o primeiro ou o segundo após a Costa do Marfim. No ano passado, cerca de 220 000 toneladas de cebola foram exportadas da Nigéria para a sub-região, das quais aproximadamente 100 000 toneladas tiveram como destino o Gana», indicou Isah.
Por fim, o responsável considera que este episódio poderá contribuir para uma maior formalização do comércio, com melhor documentação dos fluxos e um reforço da cooperação bilateral no setor da cebola.
«Grande parte do comércio que realizamos com o Gana continua a ser informal e mal contabilizado. Alguns estudos mostram que este comércio informal entre o Gana e outros países africanos — incluindo a Nigéria — é significativamente superior ao refletido nas estatísticas oficiais. Dados mais fiáveis permitiriam avaliar melhor a verdadeira dimensão desta relação. Este diferendo pode até ajudar a formalizar mais o comércio, melhorar o registo dos fluxos de mercadorias e reforçar os laços com os nossos parceiros ganeses», acrescentou.













Palais des Expositions, Alger (Safex)