Enquanto muitos diplomados universitários argelinos têm dificuldades em integrar o mercado de trabalho, o país aposta no empreendedorismo para transformar os seus campus em viveiros de criação de empregos.
Os estudantes argelinos são cada vez mais numerosos a criar o seu próprio emprego. No domingo, 12 de abril, a Agência de Notícias da Argélia (APS) divulgou um dado significativo. Em março de 2026, o Ministério do Ensino Superior e da Investigação Científica (MESRS) registou 264 projetos empreendedores nas universidades. Para o governo, a universidade tornou-se «um verdadeiro espaço de produção de riqueza».
Este resultado assenta numa infraestrutura em plena expansão. O MESRS contabiliza atualmente 134 incubadoras e 256 start-ups ativas nas universidades, bem como 3 249 patentes registadas. O entusiasmo é confirmado pelos números. Em 2024, o número de projetos inovadores estudantis aumentou 50%, passando de 6 000 em 2023 para 9 000, segundo o Ministério da Economia do Conhecimento, das Start-ups e das Microempresas.
No terreno, a mobilização ganha forma. De 31 de março a 2 de abril, a Universidade Mustapha-Stambouli de Mascara acolheu o primeiro Salão Nacional dos Jovens Empreendedores. Resultado: 230 promotores de projetos oriundos de 39 províncias (wilayas) e mais de 1 500 visitantes estiveram presentes. As iniciativas mais promissoras foram premiadas.
O desafio é significativo. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (ONS), o desemprego entre os jovens dos 16 aos 24 anos atingia 29,3% em outubro de 2024. Paradoxo argelino: o ONS indica ainda que 42,5% dos desempregados não têm diploma, 31,4% possuem ensino superior e 26,1% têm formação profissional. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta uma inadequação persistente entre a formação e as necessidades do mercado.
Esta dinâmica surge num contexto favorável. Em 2025, a Argélia contava com cerca de 10 000 start-ups ativas e ambiciona atingir 20 000 até 2029, segundo dados oficiais. Além disso, o governo gere mais de 1 100 estabelecimentos de formação profissional e 18 centros de excelência a nível nacional. Resta saber se isso será suficiente para inverter os níveis de desemprego ainda elevados.
Félicien Houindo Lokossou













Palais des Expositions, Alger (Safex)