Na África Ocidental, o Gana é o terceiro maior produtor de óleo de palma, atrás da Nigéria e da Costa do Marfim. Com o objetivo de alcançar a autossuficiência, o governo tem incentivado investimentos locais e estrangeiros no setor para reforçar a capacidade da indústria nacional.
No Gana, as autoridades iniciaram negociações com operadores tailandeses com vista à realização de novos investimentos na cadeia de valor da palma de óleo. Esta informação resulta de um encontro realizado na segunda-feira, 15 de junho, em Acra, entre John Dumelo, vice-ministro da Alimentação e da Agricultura, e uma delegação do Reino da Tailândia composta por responsáveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Tailândia, bem como por representantes de empresas e instituições financeiras do país asiático.
«Um dos pontos altos da reunião foi o interesse manifestado pelos investidores tailandeses no setor ganês do óleo de palma. A delegação analisou as oportunidades de estabelecer plantações de palmeiras e unidades de transformação para responder ao aumento da procura da indústria», refere o comunicado.
Perante este interesse, o ministério comprometeu-se a facilitar o acesso a terras agrícolas para futuros investidores nas regiões de Oti, Ashanti e Ahafo, identificadas como zonas com elevado potencial para a cultura da palma de óleo.
Embora ainda não tenha sido assinado qualquer acordo, este desenvolvimento reflete a vontade de Acra em atrair investidores estrangeiros para acelerar o desenvolvimento da sua indústria de óleo de palma.
Importa recordar que Eric Opoku, ministro da Agricultura, já tinha apelado, em março passado, a operadores chineses para investirem na produção local de óleo de palma no país.
Um ambicioso programa de desenvolvimento
Esta abertura ao investimento estrangeiro surge numa altura em que o governo ganês reafirmou, em 2025, a sua ambição de alcançar a autossuficiência em óleo de palma. Neste contexto, Acra implementou uma política integrada de desenvolvimento da fileira da palma de óleo para o período 2026-2032, apoiada por um mecanismo de financiamento de 500 milhões de dólares destinado a apoiar projetos industriais e novas plantações.
Segundo a Declaração Orçamental e de Política Económica para o exercício de 2026, esta linha de financiamento oferecerá empréstimos de longo prazo, um período de carência de cinco anos para reembolso e taxas de juro concessionais. O mecanismo deverá ainda financiar até 70% dos custos dos projetos industriais ligados ao desenvolvimento da fileira.
Estas medidas visam atrair investidores privados, mobilizar financiamento adicional e apoiar os objetivos estratégicos do governo.
O programa prevê igualmente a criação de 100 mil hectares de novas plantações para reforçar a base produtiva da indústria nacional.
Capitalizar a experiência tailandesa
Para além da atração de capitais, o interesse do Gana em captar investidores tailandeses pode também ser explicado por razões industriais e tecnológicas.
A Tailândia é um dos principais atores mundiais da fileira da palma de óleo, dominando de forma integrada a produção, transformação e distribuição. Terceiro maior produtor mundial, atrás da Indonésia e da Malásia, o país asiático produz cerca de 3,8 milhões de toneladas de óleo de palma por ano, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
A Tailândia destaca-se igualmente como o terceiro maior exportador mundial, com mais de um milhão de toneladas exportadas anualmente. Esta posição no mercado internacional demonstra a existência de uma indústria estruturada e eficiente.
Neste contexto, as negociações iniciadas por Acra com operadores tailandeses poderão abrir caminho para parcerias que combinem investimento direto, transferência de tecnologia e o desenvolvimento progressivo da indústria ganesa do óleo de palma.
Stéphanas Assocle













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