No Quénia, o setor da pecuária contribui com 42% do PIB agrícola. O governo está a repensar a gestão da alimentação animal para reforçar a resiliência dos intervenientes da cadeia face à seca.
O governo queniano pretende criar em breve reservas nacionais de alimentos para gado. Foi o que anunciou o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Pecuário na quinta-feira, 15 de janeiro. Segundo as autoridades, estas reservas destinam-se a armazenar feno, silagem e outros forragens para períodos de seca. Serão constituídas durante períodos de excedente e distribuídas assim que surgirem os primeiros sinais de seca, através de sistemas de alerta precoce.
«Os condados irão liderar o planeamento e a distribuição dos alimentos, apoiados pelo governo nacional, enquanto as cooperativas assegurarão a entrega final para garantir que os alimentos cheguem aos pecuaristas a tempo, evitando assim mortes e vendas forçadas de animais», lê-se no comunicado do ministério. Por agora, os detalhes sobre o número e a localização dos locais destinados a estas novas instalações, bem como o calendário de implementação do projeto, ainda não estão disponíveis.
Reforçar a resiliência do setor pecuário face à seca
Segundo Mutahi Kagwe, o ministro da Agricultura, esta iniciativa permitirá proteger o gado e os meios de subsistência dos pastores contra as secas recorrentes. Vale notar que no Quénia, o subsector da pecuária é um dos mais vulneráveis a este fenómeno climático, especialmente nas zonas áridas e semiáridas (ASAL), que abrigam a maior parte do rebanho bovino e ovino.
De acordo com um relatório publicado pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) na quarta-feira, 7 de janeiro, a época das chuvas nas ASAL foi deficitária em 2025, atingindo apenas 30 a 60% da média sazonal. «Isto intensificou o esgotamento dos pastos, a escassez de água e a perda de gado, provocando um colapso generalizado dos meios de subsistência nas comunidades pastorais. A produtividade do gado continua a diminuir devido à má condição corporal, à regeneração limitada dos forragens e ao acesso restrito à água», destaca o relatório.
Entre 2020 e 2022, o Quénia já havia registado a morte de 2,5 milhões de cabeças de gado em todo o território, referindo o pior episódio de seca dos últimos 40 anos, bem como a dificuldade de acesso a alimentos de qualidade para animais a preços razoáveis para os pecuaristas durante esse período.
Mais amplamente, o projeto de reservas nacionais para alimentação animal reforça os esforços já implementados pelo governo para estimular a produção local e garantir a disponibilidade de alimentos a longo prazo. Em 2023, Nairobi anunciou a intenção de mobilizar 460 mil milhões de shillings (cerca de 3,56 mil milhões de dólares) para implementar uma estratégia nacional de 10 anos destinada a desenvolver a indústria de alimentação animal.
Segundo dados oficiais, o setor pecuário queniano enfrenta atualmente um défice de produção de 33 milhões de toneladas de alimentos para animais por ano. O país da África Oriental contava com 22,4 milhões de bovinos e 38,4 milhões de ovinos e caprinos em 2024, segundo estimativas do gabinete nacional de estatísticas (KNBS).
Stéphanas Assocle













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