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Satélite nacional de telecomunicações: a RDC volta-se para a China

Satélite nacional de telecomunicações: a RDC volta-se para a China
Quarta-feira, 8 de Abril de 2026

Cada vez mais países africanos recorrem a satélites para reduzir a fratura digital que ainda permanece acentuada no continente. Na República Democrática do Congo (RDC), cerca de 40 milhões de pessoas ainda não utilizavam a Internet móvel em 2023, segundo a GSMA.

A RDC avança no seu objetivo de se dotar do seu próprio satélite de telecomunicações para reduzir a fratura digital. Neste contexto, as autoridades aproximaram-se da China para beneficiar da sua experiência.

O Ministério dos Correios e Telecomunicações anunciou, na terça-feira, 7 de abril, a assinatura de um memorando de entendimento com a Unicom Airnet, filial da operadora pública chinesa China Unicom. A comunicação oficial ainda não especificou os contornos da parceria potencial entre as duas partes.

Um projeto já iniciado com outro parceiro

Esta aproximação à China surge numa altura em que o governo se tinha inicialmente voltado para a operadora de satélites monegasca MonacoSat, com a qual foi assinado um protocolo de acordo em novembro de 2024. O acordo dizia respeito à implementação de uma rede de telecomunicações por satélite através da aquisição de capacidades junto da MonacoSat.

Augustin Kibassa Maliba, então ministro dos Correios, Telecomunicações e do Digital, realizou também uma sessão de trabalho com o fabricante de satélites Thales Alenia Space, parceiro industrial da MonacoSat.

Em agosto de 2025, uma delegação da MonacoSat, liderada pelo seu representante Jean-Philippe Anvam, reuniu-se com o presidente Félix Tshisekedi para discutir o projeto e o seu estado de avanço. O custo de aquisição foi estimado em 400 milhões de dólares, com financiamento já assegurado junto de um banco, segundo os parceiros.

Segundo Anvam, o objetivo é facilitar o acesso à Internet de alta velocidade em todo o território, especialmente nas zonas rurais e isoladas onde as infraestruturas são insuficientes.

O ministro Kibassa reuniu-se igualmente com uma delegação do Fidelity Bank Nigeria, que manifestou interesse em financiar o projeto. O governo reafirmou a sua vontade de mobilizar todos os parceiros necessários para fazer do digital um verdadeiro motor de desenvolvimento económico e social, prevendo investir 1,5 mil milhões de dólares no setor até 2030.

A experiência chinesa já comprovada em África

Com a assinatura do memorando, resta saber se a RDC irá abandonar a parceria com a MonacoSat ou se ambas coexistirão de forma complementar. Ainda assim, a China afirma-se como um dos líderes mundiais nas tecnologias espaciais, tendo já estabelecido dezenas de parcerias em África.

Entre os exemplos, destacam-se o lançamento do satélite nigeriano NigComSat-1 (2007) e o seu substituto NigComSat-1R (2011), bem como o satélite argelino Alcomsat-1, lançado em 2017.

O satélite como resposta à fratura digital

Se concretizado, o projeto poderá acelerar o acesso aos serviços digitais em todo o território congolês. A tecnologia espacial permite uma cobertura quase universal, incluindo em zonas remotas onde as redes terrestres são difíceis de implementar.

Na RDC, a GSMA recomenda soluções alternativas devido ao elevado custo de expansão das redes terrestres. Em 2024, as redes 2G, 3G e 4G cobriam respetivamente 75%, 55% e 45% da população.

A taxa de penetração da telefonia móvel era de 44,3%, enquanto o acesso à Internet atingia apenas 19,7%. Cerca de 40 milhões de pessoas permaneciam sem acesso à Internet móvel, para uma população estimada em 105,7 milhões.

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