As autoridades liberianas estão a intensificar os seus esforços no domínio da transformação digital. Um roteiro abrangendo o período até 2029 foi apresentado no início deste ano.
A Libéria está prestes a obter um financiamento de 50 milhões de dólares do Banco Mundial para apoiar a sua transformação digital. Esta iniciativa insere-se na vontade das autoridades de fazer do digital um motor de desenvolvimento socioeconómico.
Este financiamento faz parte de três acordos concluídos na semana passada com a instituição de Bretton Woods, no valor total de 125 milhões de dólares. Para além do setor digital, estes acordos abrangem também as infraestruturas rodoviárias e o acesso à eletricidade.
O componente digital insere-se no âmbito da segunda fase do Programa de Integração Digital Regional na África Ocidental (WARDIP 2), implementado na Libéria, no Benim e na Serra Leoa. O programa visa reforçar a cibersegurança, apoiar a governação digital, promover a inovação e o empreendedorismo, e criar oportunidades no comércio eletrónico e nos sistemas de pagamentos digitais.
Segundo Augustine Kpehe Ngafuan (foto, à direita), ministro das Finanças e do Planeamento do Desenvolvimento, esta iniciativa contribuirá para reduzir a fratura digital na Libéria, ao mesmo tempo que oferece aos jovens e às empresas novas perspetivas no âmbito da economia digital.
Um programa com ambições regionais alargadas
Em detalhe, o WARDIP 2 abrange vários eixos de intervenção nos países envolvidos. Prevê, em primeiro lugar, o reforço do enquadramento regulamentar do setor digital, nomeadamente em matéria de gestão do espectro de frequências e de governação da Internet.
O programa inclui também investimentos destinados a melhorar a conectividade regional, através do desenvolvimento de sistemas de cabos submarinos e de estações de aterragem na Libéria, no Benim e na Serra Leoa. Estão igualmente previstas soluções alternativas de conectividade para reforçar a resiliência das infraestruturas digitais.
O WARDIP 2 dá ainda destaque à cibersegurança e à proteção de dados. Prevê o reforço das capacidades institucionais nestas áreas, bem como a implementação de infraestruturas digitais estratégicas, incluindo soluções de cloud soberana e projetos-piloto relacionados com inteligência artificial (IA).
Por fim, o programa ambiciona dinamizar a economia digital através do desenvolvimento de competências digitais, do apoio a start-ups, da expansão das infraestruturas de pagamento digital e da implementação de reformas favoráveis ao comércio eletrónico. É dada especial atenção à inclusão das mulheres e das populações mais desfavorecidas, de forma a garantir uma transformação digital mais inclusiva.
Uma transformação digital ainda em construção
Este programa surge num contexto em que a transformação digital da Libéria ainda está numa fase inicial, apesar dos esforços das autoridades. Segundo o Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA), o país ocupa a 47.ª posição em 54 em África e a 182.ª em 193 a nível mundial no índice de desenvolvimento do governo eletrónico em 2024, com uma pontuação de 0,2513 em 1.
Por sua vez, a União Internacional das Telecomunicações (UIT) coloca a Libéria no penúltimo escalão do seu “Global Cybersecurity Index 2024”. O país apresenta um desempenho relativamente positivo em termos de enquadramento regulatório e cooperação, mas continua atrasado no que diz respeito às medidas técnicas, organizacionais e ao desenvolvimento de capacidades.
Em 2024, a UIT atribuiu também à Libéria uma pontuação de 37,1 em 100 em matéria de desenvolvimento das TIC, classificando-a em 36.º lugar entre 47 países africanos avaliados. Segundo a mesma fonte, a cobertura das redes 2G e 3G atingia 85,4% da população em 2023, contra 80% para a 4G. As taxas de penetração da telefonia móvel e da Internet situam-se respetivamente em 59% e 23,5%.
Isaac K. Kassouwi













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