Em África, a transformação digital mede-se também pela sua capacidade de criar oportunidades económicas, reforçar a empregabilidade e promover a inclusão das populações mais vulneráveis. É sob esta perspetiva que a Orange Côte d’Ivoire (Orange CI) apresenta, no seu relatório anual integrado de 2025, as iniciativas implementadas para alargar o impacto do digital para além da simples conectividade.
Com um volume de negócios consolidado de 1 197,1 mil milhões de FCFA (2,1 mil milhões de dólares) em 2025, em crescimento de 10,4 % num ano, a Orange Côte d’Ivoire confirma a sua posição entre os principais atores do setor digital na África Ocidental, segundo o seu relatório anual integrado de 2025.
O grupo registou igualmente um EBITDAaL de 424,1 mil milhões de FCFA, representando 35,4 % do seu volume de negócios. Este desempenho baseia-se no aumento dos usos digitais. No seu perímetro consolidado, a base de clientes móveis atingiu 37,6 milhões de assinantes (+8,6 %), enquanto o número de clientes Orange Money cresceu 10,2 %, alcançando 40,4 milhões. A fibra ótica continua também a sua expansão, com 493 933 assinantes, um crescimento de quase 60 % num ano.
Para além destes resultados, o grupo destaca uma ambição mais ampla: utilizar o digital como alavanca de inclusão, empregabilidade e desenvolvimento local.
Reduzir o fosso digital através do investimento
Em 2025, a Orange Côte d’Ivoire destinou 184 mil milhões de FCFA à expansão e modernização das suas infraestruturas, ou seja, 15,4 % do seu volume de negócios. Estes investimentos permitiram a instalação de 1 073 novos sites de telecomunicações, dos quais 70 % em zonas rurais. O grupo dispõe agora de 7 811 sites técnicos e apresenta uma cobertura 4G de 95,01 % da população da Costa do Marfim.
A empresa prosseguiu também os esforços para reforçar a resiliência energética da sua rede. Face às limitações de fornecimento elétrico observadas em vários países da região, 707 sites foram equipados com sistemas de energia solar em 2025.
Esta expansão das infraestruturas acompanha igualmente o desenvolvimento de novos usos. Com mais de 40 milhões de clientes Orange Money, o grupo tornou-se um ator central da inclusão financeira. Em torno destes serviços, formou-se um vasto ecossistema com mais de 360 000 pontos de venda e distribuição. Na Costa do Marfim, 67,4 % das compras do grupo são realizadas junto de fornecedores locais.
Apostar no capital humano
Há quase duas décadas que a Fundação Orange constitui o principal instrumento de intervenção social do grupo na Costa do Marfim, no Burkina Faso e na Libéria. Desde 2006, mais de 1 229 projetos foram desenvolvidos nos domínios da saúde, educação e desenvolvimento comunitário.
Em 2025, foram realizadas várias campanhas de prevenção e rastreio nos três países, nomeadamente sobre doenças cardiovasculares e cancros femininos. Na Costa do Marfim, milhares de pessoas beneficiaram de rastreios, enquanto no Burkina Faso e na Libéria centenas de mulheres foram acompanhadas no tratamento do cancro da mama e do colo do útero.
A Fundação intervém também em infraestruturas sociais de proximidade, através da construção de escolas, desenvolvimento de bibliotecas rurais, apoio a cantinas escolares, reabilitação de centros de saúde e programas de apoio às comunidades rurais. Desenvolve ainda programas de autonomização económica das mulheres, combinando agricultura sustentável e iniciativas ambientais.
Formação para profissões digitais
O outro pilar desta estratégia assenta nos Orange Digital Centers (ODC), espaços de formação, inovação e apoio à empregabilidade. Em 2025, mais de 14 500 beneficiários foram acompanhados nos três países onde o grupo opera.
As formações abrangem áreas como desenvolvimento web, cibersegurança, inteligência artificial, manutenção de smartphones, produção audiovisual, efeitos visuais e empreendedorismo digital. Na Costa do Marfim, programas como Afro VFX, Boost by SIMA, Smart Repair e Creative Lab visam profissões emergentes das indústrias criativas e digitais. Na Libéria, algumas iniciativas exploram o uso de drones e tecnologias digitais na agricultura.
O digital ao serviço da inclusão
O relatório destaca também a importância da inclusão das mulheres na economia digital, através de iniciativas como Maisons Digitales, Women In Action, Digital O’Féminin Tour, FemTech e Women Digital Centers, com o objetivo de facilitar o acesso a competências digitais e oportunidades empreendedoras.
Esta abordagem estende-se igualmente às novas gerações através de programas como Escolas Digitais, Génération Orange, SuperCodeurs e For Good Connections, que combinam equipamento escolar, formação de professores, iniciação à programação e sensibilização para o uso responsável das tecnologias.
Por fim, a análise de dupla materialidade realizada em 2025 mostra que as expectativas das partes interessadas vão além da cobertura de rede ou da qualidade de serviço. A proteção de dados pessoais, a cibersegurança, a inovação responsável e a governação são agora considerados temas estratégicos.
Esta evolução ilustra a transformação do papel dos operadores de telecomunicações nas economias africanas. Para além da conectividade, espera-se cada vez mais que contribuam para o desenvolvimento de competências, a inclusão e a transição digital dos territórios.
Moutiou Adjibi Nourou













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