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A Serra Leoa anuncia o relançamento do seu operador histórico com um parceiro privado

A Serra Leoa anuncia o relançamento do seu operador histórico com um parceiro privado
Quarta-feira, 15 de Abril de 2026

O mercado de telecomunicações da Serra Leoa é atualmente dominado por três operadores privados, que partilham um parque móvel nacional de 8,2 milhões de assinaturas em 2024, segundo fontes oficiais.

As autoridades da Serra Leoa pretendem relançar o operador histórico de telecomunicações Sierratel, em dificuldades há vários anos. O governo concluiu um acordo com um parceiro privado com o objetivo de reestruturar e reposicionar a empresa segundo um novo modelo de exploração.

A iniciativa foi anunciada na terça-feira, 14 de abril, durante uma reunião que reuniu os trabalhadores da empresa, bem como o Ministério do Emprego e o Ministério da Comunicação, Tecnologia e Inovação.

No âmbito desta parceria, está previsto um pagamento antecipado de 2 milhões de dólares para iniciar a regularização dos compromissos com os trabalhadores, estimados em cerca de 6,3 milhões de dólares. Para além da liquidação dos atrasados, o executivo pretende atuar em vários eixos, incluindo a modernização das infraestruturas, a gestão da dívida externa e a melhoria das condições de trabalho.

«Esta relançamento constitui uma etapa importante para restaurar as atividades da Sierratel, preservar os ativos nacionais de telecomunicações, melhorar a qualidade dos serviços e construir um setor mais sólido e sustentável», indicou o ministério responsável pelas TIC em comunicado.

Entre desafios tecnológicos e financeiros

O declínio da Sierratel explica-se, segundo as autoridades, por uma combinação de constrangimentos tecnológicos e financeiros estreitamente ligados. Quando chegou ao poder em 2018, o governo afirma ter herdado uma empresa já fortemente degradada, com elevadas dívidas a trabalhadores, fornecedores e vários credores internacionais.

Estas obrigações incluem salários em atraso, indemnizações de fim de serviço, subsídios de férias e contribuições sindicais, bem como dívidas a parceiros comerciais e instituições financeiras estrangeiras. A empresa devia, em particular, mais de 35 milhões de dólares a dois bancos, um encargo entretanto assumido pelo Estado.

A estas dificuldades financeiras juntou-se a obsolescência das infraestruturas. As escolhas tecnológicas feitas por volta de 2014, com um investimento significativo no CDMA, tinham inicialmente permitido melhorar o desempenho comercial. Contudo, a rápida transição do mercado global para o GSM acabou por marginalizar esta tecnologia, tornando os equipamentos da empresa obsoletos.

Este atraso tecnológico acelerou a perda de competitividade da empresa. A migração dos clientes para redes concorrentes mais eficientes levou a uma queda das receitas, mergulhando o operador num ciclo de fragilidade financeira. Incapaz de cumprir regularmente as suas obrigações, nomeadamente o pagamento de salários, a empresa viu os seus passivos acumularem-se ao longo dos anos.

Para além das questões financeiras, a crise teve também impactos sociais significativos. Os atrasos salariais afetaram as condições de vida dos trabalhadores, alguns dos quais enfrentaram dificuldades crescentes para suportar despesas essenciais, como a educação.

Um mercado nacional dominado por operadores privados

No processo de relançamento, a Sierratel terá de conquistar espaço num mercado dominado por operadores privados. Segundo o regulador, a Africell contava com 4,46 milhões de assinaturas móveis no final de dezembro de 2024, representando 55% do mercado. Seguem-se a Orange e a Qcell, com quotas de 38% e 7%, respetivamente, de um total de 8,2 milhões de assinaturas móveis. Os últimos dados relativos à Sierratel remontam a 2019, com uma quota de mercado de 1,95%.

No segmento de dados móveis, a Orange lidera o mercado com 2,16 milhões de assinaturas e uma quota de 60% no final de 2023. A Africell detinha então 27% do mercado, contra 13% da Qcell.

Apesar disso, o governo da Serra Leoa continua confiante de que o futuro da Sierratel dependerá de reformas ambiciosas e de investimentos estratégicos para recuperar o seu lugar num ambiente digital em rápida evolução.

Isaac K. Kassouwi

 

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