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Ecobank confirma plano de recuperação para a sua filial nigeriana subcapitalizada

Ecobank confirma plano de recuperação para a sua filial nigeriana subcapitalizada
Sexta-feira, 5 de Junho de 2026

A filial nigeriana do Ecobank, que representava 12,4% da carteira consolidada no final de 2025, já não distribui dividendos à casa-mãe e continua a agravar o custo do risco do grupo bancário pan-africano.

O grupo bancário pan-africano Ecobank confirmou, na quarta-feira, 3 de junho, em Lomé, que está em curso um plano de recuperação para a sua filial na Nigéria, cujos fundos próprios são atualmente insuficientes para cumprir os requisitos prudenciais impostos pelo Banco Central da Nigéria (CBN).

O diretor-geral do grupo, Jeremy Awori, abordou a situação da operação nigeriana durante uma conferência de imprensa realizada após a 38.ª Assembleia Geral Anual da Ecobank Transnational Incorporated (ETI), a sociedade-mãe do grupo.

«Temos um plano em execução, que está a ser acompanhado de muito perto pelo conselho de administração, não apenas da ETI, mas também da Ecobank Nigéria», afirmou Awori. «Como podem imaginar, uma vez que a maioria das ações ainda está em curso, não divulgamos detalhes ao público», acrescentou.

A filial nigeriana registou, em 2025, um prejuízo antes de impostos de 31 milhões de dólares, contra um lucro de 5 milhões de dólares no ano anterior, de acordo com as demonstrações financeiras consolidadas do grupo.

O rácio de crédito malparado (NPL), que mede a proporção de empréstimos com risco de incumprimento, atingiu 42,1% da carteira da filial, face a 9,7% um ano antes. Os créditos mais problemáticos, classificados na categoria «Stage 3» segundo as normas internacionais de contabilidade IFRS, quadruplicaram durante o ano, passando de 158 milhões para 667 milhões de dólares.

O banco constituiu provisões equivalentes a apenas 16,8% destes créditos problemáticos, contra 38,2% no ano anterior. Isto significa que, por cada dólar de crédito em risco, a Ecobank Nigéria reservou apenas 17 cêntimos para cobrir eventuais perdas, face a 38 cêntimos no ano precedente. A título comparativo, a taxa de cobertura normalmente observada no setor bancário africano ronda os 70%.

Os montantes efetivamente reconhecidos como perdas nestes créditos deteriorados quase quadruplicaram em 2025, atingindo 82 milhões de dólares, contra 21 milhões de dólares um ano antes, segundo o relatório anual publicado a 20 de maio.

Esta deterioração ocorreu após o Banco Central da Nigéria ter posto fim a um regime de tolerância prudencial aplicado a determinadas exposições da carteira dos setores do petróleo e gás, conforme indica o relatório anual.

Uma filial sob vigilância reforçada

Awori precisou que a filial nigeriana deixou de distribuir dividendos à casa-mãe.

«Não retiramos dividendos desta filial; deixamo-los na Nigéria para apoiar a sua recuperação», declarou, sem indicar um calendário para o regresso ao cumprimento integral dos requisitos prudenciais.

O diretor-geral defendeu, contudo, o desempenho operacional da filial, cujo lucro antes de provisões quase duplicou em 2025, passando de 26 milhões para 51 milhões de dólares.

«Se analisarmos o lucro antes de provisões, verificamos um crescimento próximo dos 100%», afirmou.

A Ecobank Nigéria atingiu, já em dezembro de 2024, o capital social mínimo de 200 mil milhões de nairas (cerca de 147 milhões de dólares) exigido pelo Banco Central da Nigéria para os bancos de categoria nacional, segundo o relatório anual. Este requisito refere-se ao montante mínimo de capital social detido pela instituição.

No entanto, existe uma segunda exigência regulamentar relacionada com o rácio de solvabilidade, ou seja, a relação entre os fundos próprios e os riscos assumidos pelo banco. É neste indicador que a filial continua abaixo do mínimo regulamentar de 10%.

As dificuldades da Ecobank Nigéria continuam a pressionar os resultados consolidados do grupo. Embora a Nigéria represente apenas 12,4% da carteira de crédito do grupo, concentra sozinha cerca de 56% do total dos créditos malparados, segundo o relatório anual.

Como consequência, o custo do risco consolidado do grupo — isto é, a parcela da carteira que o banco tem de provisionar para cobrir perdas esperadas — quase triplicou num ano, passando de 178 pontos-base para 500 pontos-base.

A administração pretende regressar a uma faixa entre 250 e 350 pontos-base em 2026, o que pressupõe uma melhoria gradual da situação na Nigéria.

O grupo indica ainda ter constituído uma reserva central de provisões de 576 milhões de dólares em 31 de dezembro de 2025, destinada a cobrir eventuais riscos emergentes.

Fiacre E. Kakpo

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