Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin

×

Message

Failed loading XML... XML declaration allowed only at the start of the document

A economia criativa africana, um manancial de crescimento que os investidores ainda ignoram

A economia criativa africana, um manancial de crescimento que os investidores ainda ignoram
Quarta-feira, 25 de Março de 2026

Um relatório do BCG estima entre 140 e 150 mil milhões de dólares o potencial de exportação do setor criativo africano até 2030, impulsionado em mais de 60% por mulheres. No entanto, o financiamento continua praticamente inexistente.

Existe uma ironia persistente na narrativa económica africana. O continente, que alberga mais de 30% das reservas minerais mundiais, há muito que exporta as suas riquezas brutas para vê-las transformadas, valorizadas ou até renomeadas noutros lugares, antes de as recomprar a preços elevados. Ora, surge agora um tipo de recurso não extrativo, não externalizável e impossível de esgotar, que começa a remodelar esta equação. Trata-se da criatividade, e ela tem predominantemente rosto feminino.

Esta é a tese central de um relatório publicado em fevereiro de 2026 pelo Boston Consulting Group, intitulado «Africa Unleashed: Empowering Women in Creative Industries». O documento, assinado por Lisa Ivers e Zineb Sqalli, apresenta um retrato impressionante de um setor ao mesmo tempo dinâmico e estruturalmente negligenciado. A economia criativa africana, que engloba, entre outros, moda, música, cinema, design e conteúdos digitais, representa atualmente cerca de 59 mil milhões de dólares.

Isto representa menos de 3% de um mercado global avaliado em quase 2 000 mil milhões de dólares. A diferença é vertiginosa, mas constitui também, segundo o BCG, uma oportunidade.

A demografia como motor

Três motores sustentam esta perspetiva. O primeiro é demográfico: a África alberga cerca de 890 milhões de pessoas com menos de 25 anos, correspondendo a quase 60% da sua população total. Esta juventude constitui não só um reservatório de mão de obra, mas também uma base de consumidores culturais ávidos, e uma geração de criadores nativamente digitais.

O segundo motor é digital: entre 300 e 400 milhões de africanos interagem ativamente nas redes sociais, com a rápida disseminação dos smartphones e a melhoria da conectividade. Plataformas de entretenimento como TikTok, YouTube e Spotify tornaram-se circuitos de exportação cultural a baixo custo.

O terceiro motor é patrimonial: as tradições e códigos africanos em design, estética e narrativa constituem um capital de propriedade intelectual cultural ainda largamente submonetizado nos mercados externos, mas amplificado por uma diáspora de mais de 200 milhões de pessoas que aumenta a sua projeção comercial.

Segundo o BCG, se a África conseguisse duplicar a sua quota no mercado criativo mundial até 2030 — passando de 3% para 6% —, as suas exportações criativas poderiam atingir entre 140 e 150 mil milhões de dólares. Um cenário que pressupõe que as condições de investimento consigam acompanhar, pelo menos parcialmente, o potencial identificado.

Moda, setor-chave de 31 mil milhões de dólares, impulsionado por mulheres

No coração deste sistema está o género feminino. No setor da moda e design, avaliado em 31 mil milhões de dólares, as mulheres representam mais de 60% da força de trabalho a nível continental. No Quénia e em Madagascar, esta proporção ultrapassa os 80%.

Desde a produção têxtil até à direção criativa, passando pelo comércio transfronteiriço, elas estão presentes em todos os elos da cadeia de valor. Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), com apoio adequado, a indústria da moda africana poderia contribuir até 50 mil milhões de dólares para o PIB continental e criar 400 000 empregos na África subsariana.

No entanto, os números de investimento contam uma história radicalmente diferente. Em 2024, as indústrias criativas africanas captaram menos de 1% do financiamento de capital de risco no continente, correspondendo a apenas 1,5 milhões de dólares em transações divulgadas. Ao mesmo tempo, a fintech mobilizava 1,35 mil milhões de dólares. Mais de 90% das empresas de moda operam com capital inferior a 1000 dólares. As mulheres, em particular, recebem menos de 10% do financiamento disponível, um valor que muitas vezes cai abaixo de 1% na Nigéria.

Para além do capital…

O BCG toma cuidado em não reduzir a solução apenas ao acesso ao financiamento. Estudos de caso na Etiópia, onde o parque industrial de Hawassa criou mais de 24 000 empregos, 80% ocupados por mulheres, e no Ruanda, cuja política de restrição à importação de roupas usadas fez passar o número de empresas têxteis de menos de 10 para cerca de 70 em seis anos, mostram que uma intervenção pública direcionada pode produzir efeitos mensuráveis.

Nos dois casos, a variável determinante não foi o mercado, mas sim a vontade política. Segundo o gabinete, o que precisa ser construído é um ecossistema viável: capital adaptado às realidades informais e sazonais, hubs de produção descentralizados, acesso a mercados formais, proteção jurídica da propriedade intelectual e formação digital podem constituir os seus pilares.

Fiacre E. Kakpo

Sobre o mesmo tema

Anunciada durante o fórum que assinala o lançamento do programa «Djoliba… The Next Step», a operação de financiamento sindicado em benefício da Sociedade...

Em Adis Abeba, neste 11 de junho, África abriu um fórum para colmatar o seu «défice de implementação». Esse défice começa com uma frase que ninguém, no...

Depois dos Camarões e da República Centro-Africana, a Creditinfo Central Africa (CICA) continua a sua expansão na sub-região com o lançamento oficial das...

A oferta de novos créditos aumentou 5,93% entre o quarto trimestre de 2024 e o de 2025, passando de 2 838,8 mil milhões para 3 007,1 mil milhões de...

MAIS LIDOS
01

Dos 50 países africanos analisados, 27 registaram uma melhoria da sua situação em matéria de paz nos…

Classificação de 2026 dos países africanos mais pacíficos (Institute for Economics & Peace)
02

Num contexto de crescimento demográfico, expansão do acesso à eletricidade e aumento das necessidade…

Angola prevê aumentar a sua produção elétrica em 40% até 2027.
03

Tal como a maioria dos tubérculos cultivados em África, a batata desempenha um papel estratégico na …

Os 6 principais produtores de batata em África
04

Na África do Sul, apesar da concorrência dos gigantes MTN e Vodacom, o operador histórico continua a…

África do Sul: Telkom paga 34 milhões de dólares em dividendos ao Estado, em alta face ao ano anterior

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.