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A perturbação histórica dos fluxos de petróleo no Estreito de Ormuz já apresenta efeitos visíveis em África

A perturbação histórica dos fluxos de petróleo no Estreito de Ormuz já apresenta efeitos visíveis em África
Quarta-feira, 1 de Abril de 2026

Conflito no Médio Oriente perturba o trânsito pelo Estreito de Ormuz e afeta os mercados africanos de energia

O conflito no Médio Oriente tem perturbado o trânsito pelo Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o comércio energético global. O bloqueio deste estreito desorganizou os fluxos de petróleo e gás, com efeitos já visíveis nos mercados e em vários países africanos.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a guerra iniciada no sábado, 28 de fevereiro, no Médio Oriente, que levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, provocou “a maior perturbação de fornecimento na história do mercado petrolífero mundial”. Em poucos dias, os fluxos de petróleo e gás através do estreito caíram significativamente, reduzindo a oferta global e provocando um rápido aumento dos preços.

Um estreito crucial para o sistema energético mundial

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estratégica que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Segundo a AIE, cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e produtos petrolíferos transitaram por ali em 2025, representando quase 25% do comércio marítimo mundial de petróleo. Mais de 110 mil milhões de m³ de gás natural liquefeito (GNL) também passaram pelo estreito, cerca de um quinto do comércio global de GNL.

Segundo a BloombergNEF, aproximadamente 32% do comércio marítimo mundial de petróleo bruto e cerca de 16% do comércio de produtos petrolíferos passam por esta rota. Os principais exportadores do Golfo dependem fortemente deste corredor para enviar a sua produção aos mercados, especialmente na Ásia.

As alternativas são limitadas. A AIE estima que apenas a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos possuem oleodutos capazes de contornar parcialmente o estreito, com uma capacidade entre 3,5 e 5,5 milhões de barris por dia, muito inferior aos volumes normalmente transportados.

Diante do choque, os países membros da AIE decidiram, na quarta-feira, 11 de março, uma libertação coordenada de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, a maior da história da instituição. Esta medida mobiliza principalmente os Estados Unidos, Japão e economias europeias, visando aliviar temporariamente as tensões nos mercados.

No entanto, estes volumes correspondem apenas a alguns dias de consumo mundial e não conseguem compensar de forma sustentável a perda de fornecimento.

Efeitos já visíveis nos mercados africanos

Os fluxos de petróleo destinados à África através do Estreito de Ormuz são relativamente reduzidos. Segundo a AIE, transitam cerca de 0,2 milhão de barris por dia de petróleo bruto e 0,6 milhão de barris por dia de produtos petrolíferos para o continente. Apesar desta exposição direta limitada, os efeitos da crise são rapidamente sentidos. O impacto transmite-se através da reorganização global dos fluxos de produtos petrolíferos, afetando os preços.

Muitos países africanos dependem da importação de combustíveis refinados, especialmente gasóleo e gasolina. Com as tensões nos mercados, surgem dificuldades de abastecimento e os preços aumentam imediatamente. Segundo a Bloomberg, os preços dos combustíveis mais que duplicaram na Somália, enquanto na África do Sul se espera um aumento de pelo menos 50% no custo do gasóleo. No Quénia, medidas fiscais foram adotadas para conter os preços e algumas bombas enfrentam rutura de stock.

A Nigéria, um dos maiores produtores de petróleo do continente, parece resistir melhor à crise, graças, nomeadamente, à refinaria Dangote, que contribui para garantir o abastecimento, embora os preços nos postos também tenham aumentado, segundo a Bloomberg.

Vulnerabilidade estrutural exige respostas duradouras

Esta crise evidencia uma vulnerabilidade estrutural para muitos países africanos, especialmente na África Subsaariana. Um bloqueio logístico, seja global como no Estreito de Ormuz ou local, como recentemente no Mali devido a ataques de grupos terroristas, pode rapidamente afetar o abastecimento e comprometer a rede elétrica e os transportes.

Neste contexto, desenvolver capacidades locais de refinação pode ser uma primeira resposta para reduzir a dependência de produtos petrolíferos importados, como exemplifica o caso da Nigéria. Reforçar a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis e eletrificar setores como o transporte também pode reduzir a exposição a estes choques, diminuindo a necessidade de combustíveis fósseis.

Abdoullah Diop

 

 

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