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Explosivos para mineração: um mercado africano de 600 milhões de dólares a conquistar pelos atores locais

Explosivos para mineração: um mercado africano de 600 milhões de dólares a conquistar pelos atores locais
Quarta-feira, 1 de Abril de 2026

Com um tamanho de mercado projetado para atingir 593 milhões de dólares até 2032, o setor africano de explosivos para mineração está em plena expansão. Isso desperta o interesse de investidores locais, que, no entanto, terão de enfrentar os grupos estrangeiros que dominam este segmento da cadeia de valor mineira.

O EPC Groupe, especialista francês em explosivos civis, anunciou na segunda-feira, 30 de março, uma receita de 591 milhões de euros (684 milhões de dólares) para 2025. Em alta de 6% em relação ao ano anterior, este valor inclui os rendimentos obtidos nos cerca de dez países africanos onde a empresa fornece explosivos para mineração.

O EPC, que no ano passado conquistou um contrato de cinco anos para a futura maior mina de ouro da Costa do Marfim (Koné), faz parte dos atores estrangeiros que dominam um mercado africano onde os operadores locais têm dificuldade em se estabelecer.

Explosivos essenciais, mas dominados por estrangeiros

Os explosivos de mineração são compostos químicos potentes projetados para fragmentar formações rochosas através de detonações controladas, permitindo a extração de minérios. Indispensáveis em operações de carvão, metais e pedreiras, constituem um insumo sem o qual nenhuma grande mina a céu aberto pode funcionar.

De acordo com um relatório da Market Research Future, o mercado africano foi avaliado em cerca de 364 milhões de dólares em 2023 e deverá alcançar aproximadamente 593 milhões de dólares até 2032, representando um crescimento médio anual de 5,7%. Atualmente, ele é dominado por um pequeno número de grupos estrangeiros, incluindo a australiana Orica, a espanhola Maxam, a chilena Enaex e o francês EPC Groupe. Também atuam empresas sul-africanas, como AECI Mining Explosives e BME, embora com presença essencialmente regional, deixando a maior parte do continente para operadores externos.

Barreiras à entrada para investidores locais

Nos países africanos produtores de minérios, os governos buscam aumentar a participação de atores locais na cadeia de valor da mineração. Contudo, restrições estruturais – típicas de todas as atividades de subcontratação na mineração – tornam difícil a emergência de empresas africanas no setor de explosivos. Entre recursos financeiros limitados, expertise técnica a desenvolver e concorrência de grupos estrangeiros centenários, a margem de manobra é estreita.

Uma análise da S&P Global de junho de 2025 sobre a Maxam indica que a empresa, fundada no final do século XIX pelo químico sueco Alfred Nobel (pai da dinamite), opera em um setor altamente regulado. As normas, cada vez mais rigorosas, criam barreiras significativas à entrada, dificultando a entrada e o crescimento de novos operadores.

Devido às características intrínsecas da atividade, a fidelização dos clientes a médio prazo é elevada, e a empresa apresenta uma taxa de renovação de contratos muito alta com seus clientes existentes”, acrescenta a S&P.

Necessidade de apoio governamental

Num mercado em que as mineradoras tendem a recorrer a um número reduzido de fornecedores de explosivos, surge a dificuldade de fazer emergir operadores locais sem incentivo regulatório. No Mali, o governo optou por intervenção direta, assinando em novembro de 2024 um acordo com a Auxin Chemical Technology, subsidiária do grupo chinês Norinco.

O projeto de construção de uma fábrica nacional de explosivos civis, chamado FARATCHI-CO SA, alcançou uma etapa decisiva em janeiro de 2026 com sua aprovação pelo Conselho de Ministros. O Estado malinês detém 51% do capital da futura empresa, enquanto a Auxin fornece todo o financiamento e a expertise técnica.

Além do modelo de conteúdo local aplicado na mineração, outras medidas são possíveis. Os governos poderiam exigir que grupos estrangeiros vencedores de contratos de fornecimento de explosivos se associem a parceiros locais ou abram parte do capital a investidores africanos, seguindo modelos de participação local aplicados às companhias de mineração em diversos países do continente. Resta saber se a vontade política acompanhará essas medidas.

Emiliano Tossou

 

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