Principalmente impulsionados pelos investimentos em combustíveis fósseis, os financiamentos destinados à energia em África continuam a aumentar. No entanto, o seu nível permanece limitado face às necessidades do continente e aos volumes de capital mobilizados no resto do mundo.
Segundo o relatório «World Energy Investment 2026», publicado na quinta-feira, 28 de maio, pela Agência Internacional de Energia (AIE), os investimentos energéticos em África deverão atingir 110 mil milhões de dólares em 2026, o que representa um aumento de 11% em relação ao ano anterior. Apesar desta progressão, o continente deverá atrair apenas 3% dos investimentos energéticos mundiais, embora acolha cerca de 20% da população mundial e cerca de 590 milhões de pessoas ainda vivam sem acesso à eletricidade.
A AIE indica que o crescimento dos investimentos em África é impulsionado principalmente pelas despesas relacionadas com o abastecimento de combustíveis fósseis. Este setor continua a representar a maior parte dos investimentos energéticos no continente.
Solar, nuclear e mobilidade elétrica: a transição africana atrai capitais
Ao mesmo tempo, os investimentos em energias limpas continuam a aumentar. Após terem crescido 17% entre 2024 e 2025, deverão aproximar-se dos 50 mil milhões de dólares em 2026. Esta evolução é particularmente visível no setor elétrico. O relatório sublinha que as tecnologias de baixas emissões, principalmente a energia solar fotovoltaica e a energia nuclear, representarão 90% dos investimentos na produção de eletricidade em África em 2026.
Para além da produção, a mobilidade elétrica também começa a ganhar dimensão. O parque de veículos elétricos no continente passou de cerca de 4.000 unidades em 2020 para 130.000 em 2025. Os investimentos neste segmento aumentaram 50% entre 2024 e 2025 e poderão triplicar em 2026.
«Em 2025, as empresas africanas de mobilidade elétrica suscitaram o interesse dos investidores, com o capital de risco a aportar 115 milhões de dólares de financiamento às startups, mais do dobro da média dos quatro anos anteriores», recorda a AIE.
Um esforço global dominado pelas tecnologias limpas
A nível mundial, os investimentos energéticos deverão atingir 3,4 biliões de dólares em 2026, um aumento de 5% face a 2025. Desse total, cerca de 2,2 biliões de dólares deverão ser destinados às energias renováveis, energia nuclear, redes elétricas, armazenamento, combustíveis de baixo carbono, eficiência energética e eletrificação. Os investimentos destinados ao petróleo, gás natural e carvão deverão representar cerca de 1,2 biliões de dólares.
Para a AIE, esta evolução confirma a crescente importância das tecnologias de baixo carbono nos fluxos globais de investimento energético. África participa, ainda assim, nesta transformação, nomeadamente na produção de eletricidade e na mobilidade, mas continua globalmente a receber uma parcela limitada do capital mundial, apesar da dimensão das suas necessidades.
Abdoullah Diop













Dakar, Senegal