Inicialmente prevista para o segundo semestre de 2026, a entrada em produção da mina de urânio de Dasa, no Níger, é agora esperada para 2027. Um adiamento que a sua operadora canadiana, Global Atomic, atribuiu, entre outros fatores, às dificuldades logísticas relacionadas com o encerramento da fronteira com o Benim.
Reunidos na terça-feira, 2 de junho, em Niamey, os presidentes do Benim e do Níger, Romuald Wadagni e Abdourahamane Tiani, anunciaram a criação de um comité encarregado de estudar as modalidades para a reabertura da fronteira entre os dois países.
Embora esta iniciativa faça parte de um processo de normalização das relações bilaterais, poderá também ter implicações para o projeto Dasa da empresa canadiana Global Atomic, destinado a tornar-se a próxima mina de urânio da nação saheliana.
A fronteira entre o Benim e o Níger está encerrada desde 2023, na sequência das tensões diplomáticas provocadas pelo golpe de Estado que levou o general Abdourahamane Tiani ao poder. Esta situação privou os operadores económicos presentes no Níger, incluindo a Global Atomic, do acesso ao porto de Cotonou, principal corredor logístico para as importações e exportações do país.
Contactada pela nossa redação em dezembro de 2025, a empresa indicou que estava a recorrer a «rotas alternativas» para transportar equipamentos e fornecimentos destinados ao projeto Dasa, reconhecendo, contudo, que tal «demorou mais tempo e revelou-se mais dispendioso». Esta limitação figura, aliás, entre os fatores que contribuíram para o adiamento da entrada em produção da mina, inicialmente prevista para o segundo semestre de 2026 e agora adiada para 2027.
Ainda na semana passada, a Global Atomic anunciou que estava a estudar o corredor argelino em direção ao Mediterrâneo como alternativa logística, numa altura em que as primeiras exportações de urânio provenientes de Dasa estão previstas para 2028.
Neste contexto, a melhoria das relações entre Cotonou e Niamey poderá levar a empresa a reconsiderar as suas opções logísticas. No entanto, a companhia ainda não se pronunciou sobre o assunto, enquanto a reabertura efetiva da fronteira dependerá das conclusões do comité de peritos criado pelos dois países. O grupo dispõe de quinze dias para apresentar as suas recomendações aos dois chefes de Estado.
A evolução do projeto Dasa merece uma atenção particular, sobretudo porque ocorre num setor uranífero nigerino em declínio nos últimos anos, marcado pelo encerramento da maioria das minas. A produção nacional passou de 4 100 toneladas em 2015 para apenas 962 toneladas em 2024, segundo a World Nuclear Association.
De acordo com o plano mineiro atual, Dasa deverá produzir 68,1 milhões de libras de urânio (cerca de 30 900 toneladas) ao longo de uma vida útil estimada em 23 anos.
Para além dos desafios logísticos, o avanço do projeto continua igualmente dependente da mobilização dos 424 milhões de dólares necessários para a sua construção. Parte deste financiamento continua a ser objeto de negociações com um banco norte-americano.
Aurel Sèdjro Houenou













Dakar, Senegal