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Antimónio: Marrocos avança na corrida por um metal crítico dominado pela China

Antimónio: Marrocos avança na corrida por um metal crítico dominado pela China
Quarta-feira, 3 de Junho de 2026

Num mundo cada vez mais sedento de novas fontes de minerais críticos, qualquer desenvolvimento nesta área atrai atenção. É particularmente o caso em África, onde os projetos mineiros estão a acelerar, desde os metais mais conhecidos até aos mais discretos, como o antimónio.

A Xtract Resources, uma empresa mineira júnior cotada no mercado AIM da Bolsa de Londres, anunciou na terça-feira, 2 de junho, ter obtido a licença de exploração mineira para o seu projeto de antimónio de Amghas junto do governo marroquino. Este avanço abre caminho ao início da produção neste ativo, que poderá tornar-se um dos raros fornecedores conhecidos deste metal crítico a partir do Reino de Marrocos, num mercado dominado pela China.

Uma posição ainda discreta…

O antimónio é um metaloide utilizado em setores como a segurança contra incêndios, o armazenamento de energia, a eletrónica e a defesa. Considerado um mineral crítico nos Estados Unidos, é produzido sobretudo na China, que forneceu 40 000 toneladas de concentrado num total mundial de 110 000 toneladas em 2025, segundo o U.S. Geological Survey. A Rússia surge a seguir, enquanto o Tajiquistão e a Bolívia também figuram entre os principais fornecedores mundiais. Apesar da existência de produção artesanal histórica, Marrocos não consta entre os produtores registados.

Esta situação poderá mudar com o projeto de Amghas, que dá alguma visibilidade à fileira, a qual inclui também o projeto Casablanca, um ativo de antimónio menos desenvolvido, promovido pela empresa australiana Zeus Resources. A licença obtida cobre um período renovável de dez anos, e a Xtract Resources pretende já iniciar a primeira produção de concentrado de antimónio no quarto trimestre de 2026.

O plano assenta na instalação de uma unidade de processamento capaz de tratar 70 000 toneladas de minério por ano, dependendo da obtenção de uma licença de transformação. Para além deste objetivo, permanecem várias incertezas. Embora a empresa afirme ter realizado um estudo de viabilidade, não publicou estimativas detalhadas dos recursos do projeto nem informações precisas sobre o investimento necessário.

«A atribuição da licença de exploração mineira de Amghas e a rápida implementação das infraestruturas de processamento representam um passo importante para a Xtract em Marrocos. Com a conclusão dos trabalhos de reabilitação, uma avaliação encorajadora dos recursos e uma unidade de processamento por gravidade com capacidade de 70 000 toneladas por ano em vias de entrar em funcionamento, estamos confiantes de que [o projeto, Ndlr] está no caminho certo para uma produção rápida de concentrado de antimónio», afirmou Colin Bird, presidente executivo da Xtract Resources.

E agora?

O esclarecimento das incertezas em torno do projeto será determinante para avaliar o seu potencial. Ainda mais porque a Xtract prevê já uma segunda fase de desenvolvimento, com a construção de uma unidade de maior capacidade destinada a tratar não apenas o minério de Amghas, mas também o proveniente de minas artesanais locais.

A empresa terá igualmente de assegurar mercados para a futura produção. A relativa diversificação do mercado do antimónio, com produtores secundários como a Turquia, o Vietname ou o México, juntamente com os grandes atores dominantes, dificulta essa tarefa, já que os compradores dispõem de várias opções de abastecimento sem dependência de uma única origem. Em África, Marrocos não é o único país com potencial em antimónio, sendo também a África do Sul reconhecida pelas suas reservas.

Aurel Sèdjro Houenou

 

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