Perante as crescentes necessidades da transição energética, a garantia de novas fontes de minerais críticos tornou-se uma prioridade mundial. Isto aplica-se particularmente ao cobre, metal essencial para a eletrificação, para o qual se prevê um défice de oferta de 30% até 2035.
Em África, o cobre concentrou a maior parte dos investimentos realizados em novos projetos de minerais críticos ao longo da última década, segundo o relatório «World Energy Investment 2026», publicado a 29 de maio pela International Energy Agency. Esta dinâmica, que ocorreu num contexto de aumento dos investimentos no setor, foi especialmente marcada na Democratic Republic of the Congo e na Zambia, os principais produtores africanos do metal vermelho.
O documento refere, de facto, uma duplicação dos investimentos em projetos mineiros críticos do tipo «greenfield», ou seja, desenvolvidos em locais onde anteriormente não existiam infraestruturas operacionais. De cerca de 3,5 mil milhões de dólares em 2016, estas despesas ultrapassaram os 7 mil milhões de dólares em 2024, sendo que o setor do cobre representou, por si só, mais de 90% deste crescimento.
A AIE não detalha, contudo, os fatores específicos que explicam esta dinâmica nem apresenta exemplos concretos que ilustrem a intensificação dos investimentos no cobre. Ainda assim, esta evolução enquadra-se num contexto marcado por um consenso crescente em torno do risco de um défice estrutural de cobre, impulsionado pela expansão da transição energética e pelo desenvolvimento da inteligência artificial. No ano passado, a agência chegou mesmo a prever um défice de abastecimento que poderá atingir 30% até 2035. Esta situação tem levado os operadores do setor a acelerar o desenvolvimento de novos projetos capazes de aumentar os volumes disponíveis no mercado.
Na RDC, por exemplo, a empresa canadiana Ivanhoe Mines e a sua parceira chinesa Zijin Mining lançaram, em 2021, a mina Kamoa-Kakula, mobilizando vários milhares de milhões de dólares em investimentos, incluindo para as sucessivas expansões do projeto. Os investimentos estão também a acelerar noutros países emergentes, nomeadamente em Angola, onde a entrada em funcionamento da primeira mina industrial de cobre foi anunciada em 2025, bem como no Botswana e na Namibia. O Morocco é igualmente referido no relatório como um destino atrativo para investimentos neste segmento.
Uma região cada vez mais no centro das atenções
No geral, estas tendências demonstram o interesse crescente que África desperta nos debates relacionados com o abastecimento mundial de minerais críticos. O relatório destaca, aliás, o aumento da quota do continente nas despesas globais destinadas a estes minerais, que passou de 14% para 19% ao longo da década analisada.
Importa recordar que a região concentra cerca de 30% das reservas mundiais destes recursos estratégicos, que incluem cobre, terras raras, lítio, grafite e níquel. Trata-se de um potencial significativo e diversificado, suscetível de reforçar ainda mais a sua atratividade nos próximos anos.
Esta perspetiva é reforçada pelas recentes evoluções observadas em alguns segmentos, particularmente no das terras raras. Vários projetos destinados à produção destes metais essenciais para baterias de veículos elétricos e turbinas eólicas estão a surgir em diferentes partes do continente, nomeadamente no Malawi (Kangankunde, Songwe Hill e Kasiya), em Angola (Longonjo) e na Tanzania (Ngualla).
Uma tendência semelhante observa-se também no setor da grafite, num contexto marcado pela vontade das potências ocidentais de reduzir a sua dependência da oferta dominante da China nestes mercados.
Neste panorama, o cobre continua igualmente a ser um setor estratégico a acompanhar de perto, impulsionado pelo avanço de novos grandes projetos, como o Mingomba, na Zâmbia. Para além de manter esta atratividade, o desafio para os Estados envolvidos passa por transformar estas dinâmicas em verdadeiros motores de crescimento económico.
A transformação local dos recursos assume uma importância crescente neste contexto, embora persistam vários desafios para concretizar plenamente esta ambição.
«Desde 2023, 13 países africanos impuseram proibições à exportação de minerais críticos com o objetivo de promover a transformação local e aumentar o valor acrescentado. No entanto, os investimentos em refinação registaram apenas um crescimento moderado ao longo da última década, atingindo 2,5 mil milhões de dólares em 2024. A escassez de água, os cortes de eletricidade, bem como a falta de infraestruturas e de mão de obra qualificada, impedem a região de captar uma parcela maior do valor acrescentado a jusante», explica a AIE no relatório.
Aurel Sèdjro Houenou













Dakar, Senegal