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Em 2024, as importações de ouro africano pelos Emirados Árabes Unidos aumentaram 18%

Em 2024, as importações de ouro africano pelos Emirados Árabes Unidos aumentaram 18%
Quinta-feira, 6 de Novembro de 2025

As importações de ouro africano para os Emirados Árabes Unidos totalizaram 748 toneladas em 2024, uma alta de 18%.
A África representa mais da metade das importações totais de ouro dos Emirados, que chegam a 1392 toneladas.

A África é a principal região produtora de ouro do mundo, mas uma parte do metal extraído deixa o continente por vias informais. Esse ouro de contrabando chega principalmente aos Emirados Árabes Unidos, antes de ser reexportado, especialmente para a Europa.

Os Emirados Árabes Unidos importaram 748 toneladas de ouro dos países africanos em 2024, um aumento de 18%. O continente representa mais da metade das importações totais de ouro dos Emirados, que totalizaram 1392 toneladas. A informação foi divulgada pela organização não-governamental suíça SWISSAID na terça-feira, 4 de novembro, com base em dados que apareceram brevemente na plataforma UN Comtrade.

Entre os principais exportadores para Dubai, principal centro comercial de ouro dos Emirados, estão o Togo (52 t), Uganda (31 t) e Ruanda (19 t). No entanto, nenhum desses países tem minas industriais ou produção artesanal suficiente para justificar tais volumes. Segundo a SWISSAID, eles atuam principalmente como hubs para o ouro de contrabando de outros países produtores.

Ruanda e Uganda abrigam várias refinarias que se abastecem na RDC, segundo vários relatórios. O Togo, quase sem produção de ouro, se beneficia de sua proximidade com produtores da África Ocidental como Burkina Faso e Gana.

Outro caso notável é o Sudão, em guerra civil desde 2023, do qual os Emirados importaram 29 toneladas de ouro de origem duvidosa. Em outubro de 2025, The Sentry estabeleceu uma conexão entre parte do ouro sudanês e uma rede de empresas ligadas a empresários próximos das Forças de Apoio Rápido, um grupo paramilitar oposto ao exército.

Diante de tais números, os Emirados Árabes Unidos deveriam novamente figurar na lista cinza do Grupo de Ação Financeira (GAFI)”, acredita Marc Ummel, responsável pela pasta de matérias-primas na SWISSAID, destacando que a legislação dos Emirados sobre aquisição responsável de ouro ainda tem lacunas.

Embora o papel central dos Emirados Árabes Unidos no comércio de ouro de contrabando exportado de vários países africanos seja bem documentado, nenhuma solução foi encontrada no continente para limitar a extensão do fenômeno. O papel dos clientes dos Emirados Árabes Unidos, especialmente a Suíça, que importou 316 toneladas de ouro de Dubai em 2024, pode ser determinante. A questão é quais ações coordenadas podem ser tomadas entre esses diferentes atores.

Emiliano Tossou

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