Após ter encerrado 2025 com mais de 53 máximos históricos, o ouro iniciou o ano em curso com um novo pico acima dos 5.500 USD por onça. Uma dinâmica que levou os analistas a projetar níveis ainda mais elevados, antecipando a ultrapassagem dos 6.000 USD por onça até ao final de 2026.
Na segunda-feira, 6 de abril, os preços do ouro cmeçaram a semana em queda, recuando para 4.600 USD por onça nos mercados, o que representa uma descida de cerca de 12% desde o final de fevereiro. Esta evolução contrasta com a tendência de alta observada um ano antes, num contexto geopolítico relativamente semelhante, atualmente marcado pela persistência do conflito no Irão.
Em 2025, o metal amarelo beneficiou plenamente do seu estatuto de valor de refúgio, atraindo investidores preocupados em proteger-se contra as tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos e a guerra na Ucrânia. Esta procura sustentada impulsionou os preços para níveis recorde, com 53 máximos históricos registados ao longo do ano e uma valorização anual superior a 60%.
Desta vez, porém, a persistência das tensões geopolíticas, nomeadamente com o conflito envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irão, parece produzir o efeito inverso. Em causa está a subida dos preços do petróleo, associada a perturbações no abastecimento, que reacende os receios inflacionistas e reforça as expectativas de aumento das taxas de juro nos Estados Unidos.
Embora o ouro seja tradicionalmente visto como uma proteção contra a inflação, a subida das taxas de juro tende a reduzir a sua atratividade em favor de ativos mais rentáveis, como as obrigações. Esta dinâmica é igualmente reforçada pela solidez dos indicadores macroeconómicos norte-americanos, que sustentam tanto os rendimentos dos títulos do Tesouro como o dólar.
«Na segunda-feira, o ouro caiu para cerca de 4.600 dólares por onça, acentuando as perdas do dia anterior após o presidente Donald Trump ter lançado um novo ultimato ao Irão […]. O ouro mantém-se em queda de cerca de 12% desde o início do conflito, com a subida dos preços da energia a alimentar receios de inflação e a reforçar as expectativas de aumento das taxas de juro. O metal precioso também teve dificuldades em cumprir o seu papel tradicional de valor de refúgio, sob pressão de liquidações forçadas, com investidores a tentarem cobrir perdas», explica a Trading Economics.
Neste contexto, as perspetivas a curto e médio prazo permanecem incertas. Antes da escalada das tensões no Irão, instituições como UBS e JP Morgan ainda previam a continuação da subida dos preços, com a possibilidade de ultrapassar os 6.000 USD por onça até ao final do ano. Estas previsões baseavam-se na atratividade do metal para investidores e bancos centrais face às incertezas geopolíticas.
Resta agora acompanhar a evolução desta tendência nos próximos meses, bem como as suas implicações para as economias africanas dependentes das receitas do ouro. Países como o Burkina Faso, o Mali, o Gana ou a Costa do Marfim tinham beneficiado da subida dos preços em 2025, ao mesmo tempo que adotavam novas reformas fiscais para captar melhor os seus benefícios.
Aurel Sèdjro Houenou













Palais des Expositions, Alger (Safex)