No Libéria, o acesso à eletricidade continua limitado, com cerca de um terço da população ligada à rede e menos de 10% nas zonas rurais. O setor permanece marcado por perdas significativas, uma rede sobrecarregada e fragilidades financeiras persistentes.
A Liberia Electricity Corporation (LEC) está a implementar uma mudança na sua luta contra a fraude elétrica. O operador público está a lançar um sistema destinado a detetar ligações ilegais diretamente na sua rede, informou a FrontPage Africa na quarta-feira, 8 de abril, citando Mohammed M. Sherif, diretor-geral da LEC.
Na prática, o dispositivo baseia-se em ferramentas técnicas capazes de analisar os fluxos de eletricidade e sinalizar anomalias. Estas tecnologias permitem identificar consumos incoerentes ou ligações irregulares, sem necessidade de intervenção física sistemática. A LEC pretende assim expandir o seu controlo a toda a rede, com um acompanhamento mais contínuo.
Segundo o responsável, o objetivo é identificar rapidamente ligações não autorizadas e reduzir perdas relacionadas com eletricidade não faturada. «Com este sistema, seremos capazes de detetar rapidamente problemas, como ligações ilegais ou manipulação de contadores», declarou Sherif.
«Os clientes poderão ser informados instantaneamente, e a eletricidade poderá ser cortada remotamente, se necessário», acrescentou o diretor-geral da LEC, que fez da luta contra o roubo de eletricidade e da eficiência operacional uma prioridade desde a sua chegada ao cargo. Esta evolução marca uma mudança nos métodos utilizados.
Até agora, a resposta baseava-se sobretudo em operações de campo. Equipas dedicadas eram encarregadas de identificar e desmontar ligações ilegais. Este dispositivo era complementado por um quadro legal reforçado através de uma lei aprovada em 2019, que criminaliza o roubo de eletricidade e prevê sanções penais para os infratores.
Um problema antigo com impactos mensuráveis na rede
O roubo de eletricidade continua a ser um problema estrutural para a LEC. Em fevereiro de 2026, vários meios de comunicação locais reportaram que a empresa recuperou 5 MW de eletricidade após operações dirigidas a ligações ilegais. Estas perdas afetam diretamente o desempenho do operador. Em várias comunicações publicadas em abril de 2026 nos seus canais oficiais, a LEC indicou que o roubo de eletricidade representa uma parte significativa das suas perdas comerciais, embora não tenha sido divulgado o valor exato dessas perdas.
Esta situação pesa sobre as receitas da empresa, provocando sobrecargas na rede e deterioração progressiva dos equipamentos. Também expõe a população a riscos de eletrocussão, incêndio e acidentes relacionados com instalações não conformes.
Operações realizadas em Paynesville, Duport Road, GSA Road e Kakata permitiram detetar numerosos casos de ligações irregulares, segundo a LEC. Em Kakata, por exemplo, mais de 20 pessoas foram detidas numa intervenção realizada em março de 2026.
Paralelamente, a empresa reforçou os seus mecanismos de denúncia. Foi criada uma linha direta dedicada, bem como um formulário online, para facilitar a comunicação de casos de fraude.
Enquanto isso, o Libéria apresenta uma das progressões mais notáveis em África em termos de governação do setor. A Agência Ecofin reportou, no início de março de 2026, que o Estado se comprometeu com um processo de reestruturação do sistema elétrico.
Abdel-Latif Boureima













Palais des Expositions, Alger (Safex)