Zimbabué reforça controlo sobre o lítio e exige transformação local para exportações
Para capturar mais valor do seu lítio, o Zimbabué tem incentivado, nos últimos anos, os operadores a desenvolver capacidades locais de transformação. Esta orientação foi reafirmada em fevereiro com o anúncio da suspensão das exportações de concentrados.
Mais de um mês após a suspensão das exportações de concentrado de lítio, o Zimbabué prepara-se agora para regulamentar a sua retomada. Segundo novas informações divulgadas na quarta-feira, 8 de abril, Harare planeia instaurar quotas, exigindo aos mineiros compromissos na transformação local desta matéria-prima, da qual é o principal produtor em África.
Citando uma carta do governo enviada no início deste mês à Câmara de Minas, a Reuters refere várias condições impostas aos produtores de lítio ativos no país. Estes deverão publicar os relatórios financeiros anuais das suas minas, bem como cumprir normas laborais, de segurança e ambientais. Cada um receberá também “quotas de exportação de concentrado de lítio aprovadas”.
Além disso, numa perspetiva de uma nova proibição das exportações de concentrado prevista para janeiro de 2027, os operadores terão de formalizar “compromissos por escrito”, com cronogramas detalhados, para a instalação de fábricas de sulfato de lítio. Até lá, uma taxa de exportação de 10 % continuará a ser aplicada após o levantamento do atual embargo e até à entrada em vigor desta proibição.
Maior influência num mercado estratégico
Através destas medidas, o Zimbabué pretende reforçar o controlo sobre um recurso estratégico, essencial para a fabricação de baterias para veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. Esta ação surge num contexto de mercado excedentário, particularmente influenciado pela China, que pressiona os preços desde 2023. O foco na transformação local revela também a intenção clara de valorizar a matéria-prima, passando de exportador de concentrado para fornecedor de produtos de maior valor acrescentado, como o sulfato de lítio.
Esta orientação integra uma tendência mais ampla na região. Em 2025, a República Democrática do Congo adotou uma estratégia semelhante com o cobalto, outra matéria-prima crítica, controlando cerca de 70 % da oferta mundial. Perante um excedente de mercado que pressionava os preços, as autoridades impuseram primeiro um embargo às exportações, depois o levantaram e introduziram quotas para controlar volumes e direcionar parte para transformação local. Um caso semelhante é o da Guiné, principal exportador mundial de bauxita, onde as autoridades procuram limitar as exportações para sustentar os preços.
Resta saber como os produtores receberão as reformas no Zimbabué, sobretudo no que toca às quotas de exportação. No âmbito da transformação local, já central na política mineira do país há vários anos, já se registam progressos em alguns operadores. O grupo chinês Zhejiang Huayou Cobalt prepara a entrada em operação de uma fábrica de sulfato de lítio na mina Arcadia, enquanto a Sinomine Resource e a Sichuan Yahua Industrial anunciaram o início da construção das suas próprias instalações.
Recorde-se que o lítio é um dos principais produtos minerais do Zimbabué, ao lado dos metais do grupo da platina (PGMs), ouro e diamantes. Em 2025, o setor gerou receitas de exportação de 571 milhões USD, num setor mineiro que representa cerca de 80 % das exportações do país e 19 % das receitas públicas.
Aurel Sèdjro Houenou













Palais des Expositions, Alger (Safex)