Com uma entrada em operação inicial prevista para o final de 2026, o projeto Kangankunde, no Malawi, promete tornar-se a próxima mina de terras raras do continente africano. Para cumprir este calendário, o seu operador australiano, Lindian Resources, está a mobilizar novos financiamentos para apoiar o progresso das obras.
Na terça-feira, 7 de abril, a mineradora australiana Lindian Resources anunciou a captação de 6 milhões de dólares australianos (4,2 milhões de USD), destinados, entre outros fins, a financiar os trabalhos em curso visando a entrada em operação de Kangankunde. Esta operação ocorre poucos dias após o lançamento de uma colocação de ações no valor de 100 milhões de dólares australianos, com o mesmo objetivo.
No detalhe, a empresa explica que esta captação resulta do exercício de opções por parte de investidores, permitindo-lhes subscrever novas ações. Apoiada por estes recursos e pelos fundos esperados da colocação de ações, a Lindian visa colocar Kangankunde em operação até ao quarto trimestre de 2026, enquanto prepara uma fase de expansão subsequente. Inicialmente, o projeto deverá produzir anualmente 20 000 toneladas de concentrado de terras raras, com potencial de expansão para cerca de 100 000 toneladas.
“O produto das opções, em conjunto com o caixa disponível e a recente colocação institucional de 100 milhões de dólares australianos, reforça o balanço da Lindian. Os fundos serão direcionados para a conclusão da Fase 1 do projeto de terras raras de Kangankunde, de modo a alcançar a primeira produção de concentrado e os primeiros fluxos de caixa […]”, lê-se no comunicado.
Com o início previsto de Kangankunde, a Lindian poderá consolidar-se como um futuro fornecedor global de terras raras, metais cada vez mais estratégicos devido ao seu papel na fabricação de ímanes permanentes utilizados, entre outros, em turbinas eólicas, motores de veículos elétricos e smartphones. Esta perspetiva reveste-se de especial importância a nível africano, que não possui mais um local industrial ativo de produção de terras raras desde a suspensão da mina burundesa Gakara em 2021.
Para além de colocar o Malawi no mapa dos países produtores, Kangankunde deverá constituir, a longo prazo, uma nova fonte de receitas para o Estado, num setor mineiro que ainda representa menos de 1% do PIB. O país acolhe também o projeto Songwe Hill, numa fase menos avançada, enquanto futuras minas emergem noutros locais do continente, nomeadamente em Angola e na Namíbia.
Aurel Sèdjro Houenou













Palais des Expositions, Alger (Safex)