A Eskom prossegue o seu objetivo de eliminar totalmente os cortes programados de eletricidade até 2027. Esta estratégia assenta, nomeadamente, na instalação de contadores inteligentes e no reforço da capacidade da rede elétrica.
A Eskom, empresa pública sul-africana de fornecimento de eletricidade, retirou mais de 714 513 clientes do seu programa de redução de carga («load reduction»), o que representa mais de 42% dos agregados familiares abrangidos pelo programa nacional. O anúncio foi feito pelo Governo sul-africano num comunicado publicado na segunda-feira, 8 de junho.
«O programa abrange 971 linhas de alimentação e beneficiará cerca de 1,69 milhões de clientes em todas as províncias, num universo total de 7,2 milhões de clientes servidos pela Eskom», refere o comunicado. As províncias do Cabo Setentrional e do Cabo Ocidental já eliminaram completamente as medidas de redução de carga.
Para atingir os seus objetivos, a Eskom aposta, entre outras medidas, na instalação de contadores inteligentes, na integração de recursos energéticos distribuídos e na expansão do programa de eletricidade básica gratuita destinado aos agregados familiares mais vulneráveis. Desde o lançamento do programa, foram instalados 1,6 milhões de contadores inteligentes em todo o país, dos quais cerca de 295 500 nas zonas prioritárias afetadas pelas reduções de carga.
A empresa esclarece que estas intervenções visam sobretudo áreas confrontadas com ligações ilegais à rede, manipulação de contadores, sobrecarga das infraestruturas e furtos de eletricidade, fatores que exercem uma forte pressão sobre a rede nacional.
Contudo, a implementação dos contadores inteligentes enfrenta vários obstáculos. A Eskom indica que as suas equipas são regularmente confrontadas com atos de intimidação, incidentes violentos e interrupções dos trabalhos, apesar das campanhas de sensibilização realizadas junto das comunidades e das autoridades locais. Estes constrangimentos já provocaram o adiamento da conversão de mais de 122 000 contadores.
Progressos na estabilidade da rede elétrica
Este anúncio surge num contexto em que a África do Sul continua a enfrentar uma crise energética crónica. Em maio passado, a empresa anunciou a intenção de reduzir ou mesmo interromper o fornecimento de eletricidade a determinados pontos de abastecimento grossista destinados à cidade de Joanesburgo e à empresa City Power, devido a uma dívida em atraso estimada em cerca de 5,2 mil milhões de rands (aproximadamente 315 milhões de dólares), à qual se acrescenta uma fatura adicional de 1,58 mil milhões de rands.
Apesar disso, registam-se alguns sinais de melhoria. A Eskom afirma ter ultrapassado a marca de 385 dias sem recorrer ao «load shedding» (cortes programados de eletricidade). Além disso, o fator de disponibilidade energética das centrais atingiu 63,05% desde o início do exercício financeiro, contra 57,67% no mesmo período do ano anterior. A empresa atribui esta evolução à redução das avarias imprevistas e à melhoria da fiabilidade das suas unidades de produção.
«Com o objetivo de reforçar a estabilidade do fornecimento de eletricidade, a Eskom colocará em serviço 3 903 MW de capacidade adicional de produção antes do pico de consumo desta noite», acrescenta o comunicado.
Carelle Yourann (estagiária)













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