Tony Elumelu é uma das figuras mais influentes do capitalismo africano. O seu grupo Heirs Holdings está agora a expandir a sua presença no coração do setor petrolífero e do gás nigeriano.
O empresário nigeriano Tony Elumelu (na imagem) vai assumir a presidência do conselho de administração da Seplat Energy. A empresa de petróleo e gás cotada simultaneamente nas bolsas de Lagos e de Londres anunciou, na terça-feira, 9 de junho, a sua nomeação para este cargo, com efeitos a partir de janeiro de 2027. O mesmo anúncio confirma também a nomeação de Effiong Okon como diretor executivo, com efeitos a partir de 1 de agosto próximo.
Estas duas nomeações seguem-se à aquisição, pela Heirs Energies — filial do conglomerado Heirs Holdings de Elumelu — de uma participação de 20,07% na Seplat Energy por 500 milhões de dólares, concluída em dezembro de 2025. A operação foi cofinanciada pelo Afreximbank e pela Africa Finance Corporation (AFC). Tornou a Heirs Energies o principal acionista da Seplat, ultrapassando o grupo Maurel & Prom, presente desde a fundação da empresa em 2009.
Elumelu sucede ao senador Udoma Udo Udoma na presidência do conselho de administração. A Seplat afirmou que a sua «experiência em governação empresarial, construção institucional e criação de valor» apoiará a ambição da empresa de se tornar uma companhia energética «resiliente e competitiva à escala global».
Quanto a Effiong Okon, o novo diretor executivo, substitui Roger Brown, em funções desde agosto de 2020. Com mais de 35 anos de experiência na indústria petrolífera, entrou na Seplat em 2018 e desempenhou sucessivamente funções como diretor de operações, diretor de novas energias e diretor-geral da ANOH Gas Processing Company (AGPC), uma joint-venture a 50% entre a Seplat e a Nigerian Gas Company. Teve também um papel fundamental na implementação do projeto de gás ANOH, que atingiu a primeira produção em janeiro de 2026.
A ascensão de um império africano da energia
A nomeação de Elumelu para a liderança da Seplat insere-se numa estratégia mais ampla. A Agência Ecofin noticiou em dezembro de 2025 que a Heirs Energy obteve uma linha de financiamento de 750 milhões de dólares junto do Afreximbank. Este acordo, assinado poucos dias antes da conclusão da aquisição da participação na Seplat, deverá ser reembolsado ao longo de cinco anos e servirá para financiar a expansão da produção e reestruturar a dívida do grupo.
Atualmente, a Heirs Energy produz mais de 50 000 barris de petróleo e cerca de 120 milhões de metros cúbicos de gás por dia. O objetivo declarado é aumentar estes níveis para 100 000 barris e 250 milhões de metros cúbicos diários, respetivamente.
Para Elumelu, a questão vai além do desempenho comercial. Ele descreveu o financiamento do Afreximbank como «um sinal de confiança nas empresas e instituições africanas», destacando o papel do banco pan-africano em «apoiar empresas africanas em grande escala». Uma visão alinhada com a sua filosofia de Africapitalismo, que defende o investimento privado de longo prazo como motor do desenvolvimento do continente.
Segundo os reguladores nigerianos, as empresas locais têm vindo a ganhar peso, assegurando atualmente entre 50% e 60% da produção nacional. A Heirs Energy insere-se nesta dinâmica ao lado de outros operadores locais como a Renaissance Africa Energy, que assumiu os ativos terrestres da Shell em 2024.
Para além do petróleo, Elumelu preside também ao United Bank for Africa (UBA), um dos maiores grupos bancários do continente, e ao Transcorp Group, ativo nos setores da energia e hotelaria. A presidência da Seplat junta-se assim a um portefólio que faz dele um dos empresários africanos mais influentes no setor energético.
Abdel-Latif Boureima













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