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Por que Aliko Dangote está a visar o Kenya para o seu projeto de mega-refinaria petrolífera na África Oriental.

Por que Aliko Dangote está a visar o Kenya para o seu projeto de mega-refinaria petrolífera na África Oriental.
Segunda-feira, 11 de Maio de 2026

O conflito no Médio Oriente, as tensões em torno do estreito de Ormuz e a volatilidade dos mercados petrolíferos continuam a alimentar, em África, reflexões sobre a soberania energética e a segurança do abastecimento.

O conflito no Médio Oriente e as perturbações das cadeias energéticas mundiais alimentam as ambições industriais africanas. Num contexto de dependência do continente das importações de combustíveis refinados, Aliko Dangote pondera agora reproduzir na África Oriental o modelo da sua refinaria de Lekki Refinery, que entrou em funcionamento em 2024 na Nigéria e atingiu a sua plena capacidade no início de 2026.

No mês passado, em Nairobi, durante a cimeira «The Africa We Build», o empresário nigeriano afirmou, perante os presidentes William Ruto do Kenya e Yoweri Museveni, que estava disposto a construir na região uma refinaria de 650 000 barris por dia, caso os governos envolvidos apoiassem o projeto.

Até então, o porto tanzaniano de Tanga surgia como a opção preferida para acolher um projeto regional estruturado em torno dos recursos petrolíferos do Quénia, do Uganda, do Sudão do Sul e da República Democrática do Congo, com ligações logísticas entre Tanga e Mombasa, como referido por William Ruto. No entanto, algumas semanas depois, Dangote explicou ao Financial Times que inclinava-se mais para Mombasa.

Duas razões principais destacam-se nas suas declarações: as capacidades portuárias do local queniano e o peso económico do mercado local.

A vantagem logística de Mombasa

Para uma refinaria de 650 000 barris por dia, as infraestruturas portuárias são um fator central, sobretudo para o abastecimento de crude e a exportação de produtos refinados. Dangote sublinhou que Mombasa dispõe de um porto «maior e mais profundo» do que o de Tanga, o que pode pesar na avaliação logística de um projeto industrial desta dimensão.

O porto de Mombasa é atualmente o principal hub marítimo da África Oriental e Central. Serve vários mercados regionais, incluindo o Uganda, o Ruanda, o Burundi, o leste da RDC, o Sudão do Sul e a Etiópia. As suas infraestruturas permitem gerir grandes volumes de tráfego e receber navios de grande capacidade.

O outro argumento avançado por Dangote diz respeito ao próprio mercado queniano. «Os quenianos consomem mais. É uma economia maior», afirmou. O Quénia é uma das principais economias da África Oriental e um centro regional de distribuição de produtos petrolíferos.

Equilíbrios regionais sensíveis

A reorientação para Mombasa ocorre também num contexto diplomático delicado. A presidente tanzaniana Samia Suluhu Hassan afirmou publicamente não ter sido consultada antes do anúncio do projeto de refinaria em Tanga feito em Nairobi. Esta situação evidenciou as sensibilidades regionais em torno de grandes projetos energéticos e logísticos. Ao mesmo tempo, Dangote mantém alguma flexibilidade quanto à localização final do projeto.

O empresário nigeriano indicou que uma instalação na Tanzânia continua a ser possível caso as negociações regionais avancem. Insistiu igualmente na necessidade de apoio público para garantir a viabilidade económica de uma refinaria desta dimensão. Defende, nomeadamente, um mecanismo de proteção contra importações de combustíveis a baixo preço, como acontece noutras regiões com forte capacidade de refinação.

O projeto, avaliado entre 15 e 19 mil milhões de dólares, dependeria também da disponibilização de terrenos, de um quadro regulatório estável e de apoio financeiro regional.

Uma lógica de soberania energética

Para além da escolha entre Mombasa e Tanga, o projeto insere-se numa reflexão mais ampla sobre a transformação industrial do continente. A África Oriental ainda importa a maior parte dos seus combustíveis refinados, sobretudo do Médio Oriente. As recentes tensões geopolíticas reavivaram o debate sobre a vulnerabilidade dos países africanos às perturbações dos mercados internacionais.

Desde a expansão da refinaria de Lekki, Dangote defende que África deve dispor de grandes capacidades de refinação localizadas, de forma a reduzir a dependência externa. Estima mesmo que seriam necessárias pelo menos três refinarias comparáveis à da Nigéria a nível continental.

A refinaria de Lekki já exporta produtos petrolíferos para vários mercados internacionais, abastecendo inclusive companhias como a Ethiopian Airlines em combustível de aviação.

O projeto na África Oriental insere-se assim num plano mais vasto de reforço da transformação local dos recursos energéticos africanos e de maior segurança no abastecimento regional.

Olivier de Souza

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