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Petróleo: Guiné Equatorial cartografa a sua zona offshore para relançar a exploração

Petróleo: Guiné Equatorial cartografa a sua zona offshore para relançar a exploração
Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

A saída da ExxonMobil em 2024 evidenciou as fragilidades do setor petrolífero da Guiné Equatorial. Malabo procura agora reconstruir a sua carteira de investidores para relançar a exploração petrolífera.

A Guiné Equatorial está a reforçar os seus mecanismos para atrair novos operadores de exploração de petróleo. O Ministério do Desenvolvimento dos Hidrocarbonetos e das Minas assinou, na quarta-feira, 10 de junho, um acordo com a empresa norueguesa TGS, especializada em dados geológicos, para elaborar um levantamento sísmico abrangente dos blocos offshore do país.

A TGS recolhe, processa e comercializa dados do subsolo para empresas de exploração, ajudando-as a identificar potenciais jazidas antes da perfuração. O levantamento que será realizado na Guiné Equatorial abrangerá as bacias de Rio del Rey e Rio Muni, duas zonas offshore com potencial petrolífero.

A primeira fase dos trabalhos, prevista para o terceiro trimestre de 2026, incidirá sobre o reprocessamento de 27 273 quilómetros de dados sísmicos bidimensionais (2D) e de 35 000 quilómetros quadrados de dados tridimensionais (3D). O objetivo é produzir uma imagem coerente e homogénea do subsolo ao longo de todo o litoral equato-guineense.

«O MegaSurvey da Guiné Equatorial é o primeiro do género no país e aplicará a nossa mais recente tecnologia de imagiologia para reduzir os riscos de exploração nestas bacias», declarou David Hajovsky, vice-presidente executivo da TGS, em comunicado.

Uma iniciativa inserida numa estratégia de relançamento

A Guiné Equatorial procura há vários anos inverter o declínio da sua produção petrolífera. Esta caiu de mais de 360 mil barris por dia, em média, no seu pico em 2004, para cerca de 41 mil barris por dia em fevereiro de 2026, segundo dados compilados pela plataforma Trading Economics. A saída da ExxonMobil, em fevereiro de 2024, após quase trinta anos de presença no país, simbolizou a dimensão deste recuo.

Ao disponibilizar aos potenciais investidores uma imagem coerente e homogénea do subsolo offshore, Malabo pretende reduzir o risco geológico percebido e facilitar a tomada de decisões de investimento.

Nas últimas semanas, surgiram os primeiros sinais de um renovado interesse pelo setor. A multinacional norte-americana Chevron assinou dois novos contratos de partilha de produção para os blocos EG-06 e EG-11, envolvendo um investimento anunciado de 2 mil milhões de dólares.

Na mesma dinâmica, a sua compatriota ConocoPhillips deverá concluir acordos para os blocos B/4 e EG-27, suscetíveis de desbloquear até 9 mil milhões de dólares em investimentos, segundo informações divulgadas pela Energy Capital & Power em janeiro.

Abdel-Latif Boureima

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