Impulsionada pelo crescente interesse dos investidores pelo seu setor mineiro, a Costa do Marfim pretende acelerar o crescimento da sua indústria do ouro. O maior produtor mundial de cacau ambiciona duplicar a sua produção aurífera até 2030, aproximando-se dos principais produtores da região.
Na Costa do Marfim, a mina de ouro de Bonikro deverá permanecer em atividade até 2036, enquanto o anterior plano mineiro previa o encerramento das operações por volta de 2029. Anunciado na quarta-feira, 10 de junho, pela sua operadora canadiana Allied Gold, este prolongamento reforça as perspetivas de crescimento da indústria aurífera marfinense.
A empresa explica que esta evolução resulta principalmente da integração, no início deste ano, das primeiras reservas minerais provenientes do jazigo de Oumé no plano mineiro de Bonikro. Esta incorporação deverá permitir a continuidade das operações até 2036, sustentando uma produção média anual superior a 120 mil onças de ouro. A título comparativo, a mina produziu 100 678 onças em 2025.
Para além de Oumé, estão igualmente previstos investimentos destinados a aumentar a capacidade da unidade de processamento do complexo. Estas iniciativas inserem-se na estratégia da Allied Gold de manter a sua produção na Costa do Marfim em cerca de 200 mil onças de ouro por ano durante a próxima década.
Esta estratégia assenta também na mina de Agbaou, a outra exploração da empresa no país, que juntamente com Bonikro forma o complexo aurífero CDI.
Contribuir para a meta nacional de 100 toneladas de ouro por ano
Os progressos alcançados em Bonikro contribuem para preservar uma importante fonte de produção aurífera a longo prazo. Surgem num contexto de forte expansão do setor, cuja produção passou de cerca de 20 toneladas em 2014 para 59,33 toneladas em 2025.
As autoridades marfinenses pretendem agora ultrapassar a fasquia das 100 toneladas de ouro anuais ao longo da próxima década.
Esta meta depende tanto da continuidade das minas já em operação como da entrada em produção de novos projetos previstos para os próximos anos, entre os quais Koné, da Montage Gold, Assafou, da Endeavour Mining, e Doropo, da Resolute Mining.
Embora Bonikro pareça bem posicionada para contribuir para estas ambições nacionais, a concretização desta trajetória dependerá da sua capacidade de manter o desempenho operacional ao longo do tempo.
Com efeito, o novo plano mineiro baseia-se em projeções de produção que terão de ser confirmadas no terreno nos próximos anos. Esta questão surge também num momento decisivo para o ativo.
A Allied Gold encontra-se atualmente a concluir as últimas etapas da sua aquisição pelo grupo chinês Zijin Mining, que deverá assumir o controlo de Bonikro e das restantes minas da empresa. Caso a operação seja concluída, a continuação do desenvolvimento do complexo marfinense ficará sob responsabilidade deste novo operador, cujas prioridades estratégicas imediatas ainda estão por avaliar.
Aurel Sèdjro Houenou













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