Impulsionado pelo renovado interesse global pela energia nuclear civil, o setor do urânio está a recuperar dinamismo. Esta tendência traduz-se numa aceleração dos investimentos em projetos mineiros, sobretudo em África, onde surgem várias novas minas.
Na quarta-feira, 10 de junho, a empresa australiana Elevate Uranium anunciou um aumento de 31% dos recursos do seu projeto de urânio Marenica, na Namíbia. Esta evolução aproxima o ativo de uma eventual fase de desenvolvimento mineiro e pode transformá-lo num dos futuros motores de crescimento da principal indústria uranífera africana.
A nova estimativa do Marenica resulta de recentes campanhas de perfuração de densificação realizadas na área do projeto, após uma atualização anterior das reservas anunciada em fevereiro. Com estes trabalhos, os recursos do depósito atingem 52,8 milhões de libras de U₃O₈, contra 40,2 milhões anteriormente. Este crescimento deverá permitir novos estudos destinados a aumentar o nível de confiança dos recursos, etapa essencial antes de avaliações económicas para futura exploração mineira.
A Elevate Uranium equaciona já um desenvolvimento à escala de distrito, apoiado também no projeto namibiano Koppies. Esta abordagem, comum na indústria mineira, consiste em integrar vários depósitos num único polo de produção com uma infraestrutura partilhada. Localizado igualmente na região uranífera de Erongo, Koppies possui recursos estimados em 76,2 milhões de libras de U₃O₈.
Sustentar uma dinâmica em expansão
Os avanços da empresa inserem-se num movimento mais amplo de crescimento da indústria do urânio na Namíbia. O país conta com vários projetos em fases mais avançadas, nomeadamente Tumas, desenvolvido pela australiana Deep Yellow, cuja construção deverá arrancar nos próximos meses. A futura mina Etango, da Bannerman Energy, segue uma trajetória semelhante.
A médio prazo, estes projetos poderão reforçar uma capacidade produtiva já significativa. Em 2024, a Namíbia produziu 7 333 toneladas de urânio, tornando-se o terceiro maior produtor mundial, atrás do Cazaquistão e do Canadá.
No continente africano, a Namíbia destaca-se claramente dos restantes produtores. O Níger, segundo maior produtor africano, produziu apenas 962 toneladas em 2024, segundo a World Nuclear Association (WNA).
Esta evolução ocorre num contexto de mercado favorável, marcado pelo regresso do interesse global na energia nuclear no quadro da transição energética. Segundo a WNA, a procura mundial poderá atingir 150 000 toneladas por ano até 2040, enquanto a produção mineira se mantém em torno de 60 000 toneladas desde 2017.
Este desequilíbrio favorece o desenvolvimento de novos projetos, embora a concretização dependa ainda da evolução dos preços e das condições de investimento. Historicamente, o setor do urânio é altamente sensível à volatilidade do mercado.
Este fator explica os sucessivos adiamentos da decisão final de investimento (FID) do projeto Etango, da Bannerman Energy. A Deep Yellow também mantém uma abordagem cautelosa, considerando que os preços ainda não justificam plenamente o lançamento de novos projetos.
Quando em operação, o projeto Tumas poderá acrescentar cerca de 3,6 milhões de libras de urânio à produção da Namíbia ao longo de 22 anos, enquanto Etango prevê cerca de 3,5 milhões de libras em 15 anos.
Segundo dados da Cameco, o preço do urânio subiu de 89 dólares por libra em janeiro para 94 dólares em maio, confirmando uma ligeira tendência de alta.
Entretanto, a Elevate Uranium ainda terá de transformar o potencial geológico em viabilidade económica, através de estudos adicionais e definição de reservas exploráveis. Este processo poderá demorar vários meses ou anos antes de uma eventual decisão de desenvolvimento.
Enquanto isso, outros projetos avançam no continente: no Malawi, a mina Kayelekera retomou a produção em 2025; na Mauritânia, a Aura Energy prepara a construção da futura mina Tiris; e no Níger, a Global Atomic continua a desenvolver o projeto Dasa.
Aurel Sèdjro Houenou













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