A Shell explora há vários anos a bacia de Orange, na Namíbia, sem ainda confirmar a viabilidade comercial das suas descobertas. Cada novo poço aproxima a multinacional de uma resposta decisiva sobre o potencial deste bloco.
A empresa anglo-neerlandesa Shell acaba de registar os seus melhores resultados de exploração na Namíbia. O operador britânico e os seus parceiros QatarEnergy e NAMCOR, a companhia petrolífera namibiana, anunciaram na terça-feira, 9 de junho, os resultados do poço Merlin-1X, perfurado em abril na licença de exploração PEL 39, ao largo da costa da Namíbia. Trata-se do décimo poço perfurado pela empresa neste perímetro.
Os resultados são descritos pela Shell como os «mais promissores até à data» nesta licença. O poço atravessou uma formação geológica alvo e revelou uma boa qualidade de reservatório, com petróleo leve e pouco gás associado, características mais favoráveis do que as observadas nos nove poços anteriores neste mesmo bloco.
«São resultados encorajadores que reforçam a nossa compreensão do potencial da bacia de Orange. Estamos a avançar com uma abordagem disciplinada e baseada em dados para estabelecer a viabilidade comercial», afirmou Eugene Okpere, vice-presidente executivo da Shell para Exploração, Estratégia e Portefólio.
Saad Sherida Al-Kaabi, ministro de Estado do Qatar para os Assuntos da Energia e diretor executivo da QatarEnergy, acrescentou que os resultados da perfuração de Merlin-1X «reforçam ainda mais a confiança na bacia de Orange como uma província de hidrocarbonetos emergente de classe mundial». A Shell prevê novas perfurações nesta licença até ao final do ano.
Uma descoberta inserida numa longa campanha de exploração
Este anúncio culmina vários anos de esforços neste bloco. Em julho de 2023, a Shell já tinha anunciado uma primeira descoberta de petróleo bruto na PEL 39. No entanto, segundo a Agência Ecofin, em agosto de 2025, a multinacional reconheceu publicamente a complexidade da bacia, indicando que os resultados obtidos até então ainda não tinham permitido demonstrar a viabilidade comercial dos recursos identificados.
Em dezembro de 2025, a Shell detalhou o seu programa de perfuração ao assinar um contrato com a Northern Ocean para a utilização da plataforma Deepsea Mira, com vista à perfuração de novos poços na PEL 0039. O Merlin-1X é o primeiro resultado desta nova campanha.
Esta descoberta ocorre num momento em que a Namíbia se afirma progressivamente como uma nova fronteira petrolífera africana. Na bacia de Orange, a multinacional francesa TotalEnergies avalia o seu projeto petrolífero Venus, cujas reservas são estimadas em mais de mil milhões de barris.
O grupo português Galp, por sua vez, reviu em alta as suas estimativas para o campo de Mopane, para 1,38 mil milhões de barris equivalentes de petróleo. O início da produção é esperado a partir de 2029.
Abdel-Latif Boureima













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