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As obras da linha ferroviária Argel–Tamanrasset deverão começar até setembro

As obras da linha ferroviária Argel–Tamanrasset deverão começar até setembro
Quarta-feira, 3 de Junho de 2026

Há muito centrados no litoral mediterrânico, os investimentos argelinos no setor ferroviário estão a deslocar-se progressivamente para o Saara. Uma orientação que reflete o peso crescente das questões mineiras e comerciais na estratégia económica do país.

A Argélia prevê lançar até ao final de setembro as obras de construção da linha ferroviária Argel–Tamanrasset, um projeto estratégico destinado a reforçar a integração económica do Saara e a apoiar as ambições de diversificação económica do país. O calendário foi definido na segunda-feira, 1 de junho, durante uma reunião presidida pelo chefe de Estado, Abdelmadjid Tebboune.

Com 2 039 km de extensão e atravessando cerca de uma dezena de cidades, a futura linha representa um dos maiores investimentos em transporte ferroviário realizados pela Argélia nos últimos anos. Segundo a Agência Nacional de Estudos e Acompanhamento da Realização dos Investimentos Ferroviários (ANESRIF), o objetivo é melhorar a conectividade entre o norte do país e os vastos territórios saharianos, onde se concentram importantes recursos energéticos e agrícolas.

De acordo com as autoridades, as obras serão divididas em três grandes lotes: Ouargla–In Salah, In Salah–Tamanrasset e Tamanrasset–In Guezzam, perto da fronteira com o Níger. Para além da mobilidade, a infraestrutura integra-se na estratégia argelina de valorização dos recursos mineiros. O governo está a acelerar vários projetos extrativos para reduzir a dependência da economia em relação aos hidrocarbonetos.

A Argélia prevê iniciar as exportações de fosfato de Bled El Hadba a partir de março de 2027, após a conclusão da linha mineira que liga o depósito ao porto de Annaba. Esta política já levou à entrada em exploração do jazigo de ferro de Gara Djebilet, apoiado por novos investimentos ferroviários e portuários.

Para o Banco Africano de Desenvolvimento, a futura linha Argel–Tamanrasset constitui a espinha dorsal de um corredor transsaariano destinado a estender-se aos países vizinhos. A longo prazo, esta infraestrutura poderá reforçar o comércio entre o Norte de África e o Sahel, promovendo simultaneamente a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).

O projeto insere-se também num programa mais amplo de modernização da rede ferroviária nacional. No âmbito do plano de desenvolvimento de um sistema de transporte multimodal integrado, a Argélia ambiciona expandir a sua rede ferroviária para 15 000 km até 2030. Está igualmente previsto um programa de investimento de 378 mil milhões de dinares (cerca de 2,8 mil milhões de dólares) para modernizar infraestruturas existentes, renovar material circulante e melhorar a qualidade dos serviços ferroviários.

Henoc Dossa

 

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