Entre o projeto de comboio de alta velocidade (TGV), o metro de Abidjan e a expansão da rede rodoviária, o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2026-2030 da Costa do Marfim pretende reforçar o posicionamento do país como plataforma logística da África Ocidental.
No seu novo Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2026-2030, a Costa do Marfim atribui um papel central ao setor dos transportes, considerado uma alavanca essencial para alcançar o estatuto de economia de rendimento médio-alto até 2030. Dos 175 mil milhões de euros (cerca de 203,3 mil milhões de dólares) de investimentos previstos para o período, uma parte significativa será destinada ao Pilar V, dedicado ao desenvolvimento de infraestruturas estratégicas modernas, resilientes e competitivas.
O caminho-de-ferro e a mobilidade urbana no centro da estratégia
Entre os principais projetos do plano destaca-se uma linha de comboio de alta velocidade (TGV) que ligará Abidjan a Yamoussoukro, Bouaké, Korhogo e Ferkessédougou. Esta infraestrutura deverá reforçar as trocas económicas entre os principais polos urbanos do país, melhorando simultaneamente a mobilidade de pessoas e mercadorias.
Em Abidjan, as autoridades pretendem prosseguir os esforços para reduzir o congestionamento urbano através da construção da Linha 1 do metro, da entrada em funcionamento do corredor de Bus Rapid Transit (BRT) entre Yopougon e Bingerville, bem como da construção de cinco terminais rodoviários internacionais destinados a facilitar o transporte interurbano e transfronteiriço.
A nível regional, o programa prevê igualmente a reabilitação da linha ferroviária Abidjan–Ouagadougou–Kaya e a construção de uma nova ligação ferroviária entre San Pedro, Man e Odienné até à fronteira com o Mali, com o objetivo de apoiar o comércio com os países do interior da região.
Objetivo: 15 000 km de estradas pavimentadas
A rede rodoviária, que constitui a espinha dorsal das trocas comerciais internas, será objeto de uma expansão significativa. O governo pretende atingir 15 000 km de estradas pavimentadas até 2030, contra cerca de 8 500 km em 2024. A extensão da rede de autoestradas deverá igualmente passar de 400 km para 700 km.
Entre os principais projetos anunciados figuram o lançamento da autoestrada do Oeste, entre Yamoussoukro e Daloa, bem como a construção de várias obras de arte estratégicas destinadas a melhorar a acessibilidade das zonas agrícolas e a reduzir os custos de transporte. O plano prevê ainda programas reforçados de manutenção e a integração de soluções técnicas adaptadas aos efeitos das alterações climáticas, de forma a aumentar a resiliência da rede rodoviária.
Plataforma logística e competitividade portuária
Para acompanhar a industrialização do país, o PND 2026-2030 prevê a conclusão do porto seco de Ferkessédougou e o desenvolvimento de uma zona logística integrada em Bouaké. Estas infraestruturas serão complementadas pela criação de parques de estacionamento para veículos pesados na Grande Abidjan, com o objetivo de melhorar a fluidez das operações de transporte e logística.
Os portos de Abidjan e San Pedro beneficiarão igualmente de novos investimentos destinados a reforçar a sua competitividade e capacidade operacional.
O transporte aéreo figura também entre as prioridades, com vários projetos de construção e renovação de aeroportos em todo o território nacional. Para além das infraestruturas, o plano prevê ainda a criação de tecnopolos dedicados às empresas e a construção da Escola Multinacional Superior dos Correios de Abidjan, numa lógica de apoio à economia dos serviços.
Financiamento amplamente esperado do setor privado
Para concretizar estas ambições, o governo marfinense conta mobilizar fortemente o setor privado, chamado a assegurar cerca de 70% dos investimentos previstos no âmbito do PND. As autoridades pretendem, nomeadamente, reforçar o recurso às parcerias público-privadas (PPP) para a construção e exploração de infraestruturas de transporte, logística e indústria.
Contudo, a implementação deste vasto programa dependerá de vários fatores, entre os quais a capacidade do país para mobilizar os financiamentos esperados num contexto internacional marcado pelo aumento do custo do crédito. A concretização de alguns projetos estruturantes, como o TGV ou as novas linhas ferroviárias, poderá igualmente enfrentar desafios relacionados com a rentabilidade económica, a aquisição de terrenos e a coordenação com os países vizinhos no caso das infraestruturas de vocação regional.
A estes desafios juntam-se ainda as questões ligadas à manutenção das infraestruturas, indispensável para garantir a sustentabilidade dos investimentos realizados.
Henoc Dossa













Dakar, Senegal