Num setor da aviação africana confrontado com o aumento dos custos operacionais, tensões geopolíticas e perturbações nas cadeias de abastecimento, várias transportadoras procuram novas fontes de financiamento para preservar a sua competitividade e sustentar o crescimento.
A Kenya Airways pretende angariar 1,5 mil milhões de dólares para apoiar o seu plano de recuperação, segundo declarações atribuídas pela imprensa local ao presidente do Conselho de Administração da companhia, Kiprono Kittony. Entre as opções em análise estão a abertura do capital, parcerias estratégicas com outras companhias aéreas, a mobilização de investidores locais e internacionais e um eventual apoio do Estado.
Os recursos procurados deverão permitir reduzir o endividamento da transportadora, aliviar as pressões de tesouraria, responder às dificuldades operacionais e compensar a escassez de equipamentos causada pelos atrasos na entrega de aeronaves e pelas limitações no fornecimento de peças sobressalentes para aviões imobilizados.
Esta iniciativa surge numa altura em que a companhia, que vinha registando sinais de recuperação após mais de uma década de prejuízos, enfrenta desde 2025 uma deterioração do seu ambiente operacional. As persistentes perturbações das cadeias de abastecimento, associadas aos efeitos das tensões geopolíticas no Médio Oriente, aumentaram a pressão sobre as suas atividades.
Em março passado, a Kenya Airways anunciou um prejuízo líquido de 17,12 mil milhões de xelins quenianos (cerca de 132,2 milhões de dólares) referente ao exercício de 2025, após ter registado um lucro líquido de 5,4 mil milhões de xelins quenianos em 2024.
Segundo a administração da empresa, a volatilidade dos preços dos combustíveis, alimentada pelas tensões regionais envolvendo particularmente Israel, o Irão e os Estados Unidos, faz com que os gastos com combustível de aviação representem atualmente entre 20% e 30% dos custos operacionais totais.
Caso se concretize, esta operação financeira poderá acelerar a implementação do plano de crescimento da companhia, cujos principais eixos, nomeadamente a renovação e expansão da frota, têm sido travados pelas atuais restrições.
No âmbito da sua estratégia de longo prazo, a Kenya Airways pretende aumentar a sua frota para 100 aeronaves até 2030, face às cerca de 30 atualmente em operação, através de uma combinação de aquisições diretas e contratos de leasing.
Henoc Dossa













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