Face a um mercado de trabalho fragilizado por um desemprego elevado e por desequilíbrios entre formação e emprego, as autoridades públicas marroquinas procuram estimular a iniciativa empreendedora para transformar este potencial em atividades concretas e postos de trabalho.
Durante uma conferência dedicada ao empreendedorismo e emprego, realizada na sexta-feira, 6 de fevereiro, em Marraquexe, o ministro da Indústria e Comércio, Ryad Mezzour, apelou para “apoiar a iniciativa empreendedora ao serviço da criação de emprego”, sublinhando a importância de um ambiente favorável ao surgimento de projetos inovadores e sustentáveis. Segundo a imprensa local, esta tomada de posição insere-se na vontade de dar mais margem de ação aos promotores de projetos, de forma a que possam criar empregos e contribuir para a economia nacional.
A economia nacional, nos melhores anos, consegue criar até 250 000 empregos, um número considerado insuficiente face à procura. Todos os anos, cerca de 180 000 diplomados do ensino superior e mais de 330 000 jovens da formação profissional entram no mercado de trabalho, segundo dados oficiais. Esta situação evidencia a necessidade de iniciativas complementares, como o empreendedorismo, para absorver esta mão-de-obra jovem e qualificada.
O ministro também recordou a importância de reforçar as sinergias entre os atores públicos e privados, sobretudo para acompanhar os jovens empreendedores nos primeiros anos de atividade, frequentemente decisivos para a perpetuação dos projetos. O encontro reuniu diversos profissionais, representantes de ecossistemas de inovação e decisores económicos, ilustrando uma dinâmica coletiva em torno desta estratégia.
Acompanhamento de projetos e transformação de competências
Segundo o Maroc Diplomatique, o ministro destacou que um acompanhamento estruturado é indispensável para as iniciativas empreendedoras, com dispositivos de mentoria, financiamento direcionado e acesso a redes profissionais. Este apoio permite remover obstáculos enfrentados pelos jovens promotores de start-ups e multiplicar as hipóteses de sucesso de projetos geradores de emprego.
O ministro insistiu ainda na importância de desenvolver competências adaptadas às necessidades do mercado de trabalho, lembrando que o reforço da formação profissional e técnica complementa o espírito empreendedor. As jovens empresas necessitam tanto de capital como de talentos formados em inovação, gestão e adaptação às mudanças económicas.
Esta abordagem insere-se numa estratégia mais ampla de transformação da economia marroquina, em que o empreendedorismo se torna um instrumento coletivo de crescimento inclusivo, capaz de complementar os circuitos tradicionais de contratação e estimular a criação de empregos duradouros.
Desafios persistentes no mercado de trabalho
Esta orientação ocorre num contexto em que o mercado de trabalho marroquino enfrenta desafios estruturais. Segundo o Alto Comissariado do Plano (HCP), a taxa de desemprego nacional era de 13,3% em 2024, com um peso particularmente elevado entre os jovens de 15‑24 anos, atingindo 36,7%, e um total de 1,63 milhão de pessoas desempregadas.
Entre 2024 e 2025, a economia nacional criou 193 000 postos de trabalho, ou seja, apenas 3,3% da população jovem entre 15 e 24 anos, estimada em cerca de 6 milhões. Apesar desta evolução, a maioria dos jovens continua a enfrentar dificuldades de inserção profissional, evidenciando a importância de estratégias inovadoras como o empreendedorismo para absorver a mão-de-obra jovem e reforçar a adequação entre formação e emprego.
Félicien Houindo Lokossou













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