O desenvolvimento de competências digitais é essencial para responder às necessidades de um mercado global com uma procura crescente por profissionais qualificados. No Egito, as autoridades implementaram um programa específico com esse objetivo.
A ITIDA anunciou, a 4 de junho, o lançamento da maior edição do seu programa de formação de verão em competências digitais. Este ano, a iniciativa pretende formar 10 000 estudantes universitários nas profissões tecnológicas mais procuradas pelo mercado, num contexto de forte procura mundial por talentos digitais.
Implementado em parceria com o National Telecommunications Institute, o programa está aberto a estudantes de áreas técnicas e não técnicas. As formações abrangem inteligência artificial, cibersegurança, desenvolvimento de software, ciência de dados, computação em nuvem, marketing digital, eletrónica e design digital.
Para além dos conteúdos teóricos, os participantes terão acesso a projetos práticos e módulos dedicados às competências profissionais, com o objetivo de facilitar a sua integração no mercado de trabalho.
Esta iniciativa faz parte da estratégia do Egito para consolidar a sua posição como um dos principais polos regionais de serviços digitais e de externalização (outsourcing). Graças a uma população superior a 110 milhões de habitantes e a um vasto número de diplomados, aliado à sua localização estratégica entre a Europa, África e o Médio Oriente, o país atrai cada vez mais empresas internacionais de tecnologia, centros de serviços e fornecedores de outsourcing.
O programa surge também num momento em que o Egito procura reforçar as competências digitais da sua força de trabalho. As autoridades pretendem formar cerca de 800 000 pessoas em tecnologias da informação e comunicação (TIC) durante 2026, através de diversos programas públicos.
Além disso, o país atribui anualmente cerca de 750 000 diplomas universitários, uma parte significativa dos quais em áreas científicas, tecnológicas e de engenharia, constituindo um dos maiores reservatórios de talentos da região EMEA (Europa, Médio Oriente e África).
Este reforço das competências acompanha as ambições económicas do setor digital egípcio. O Ministério das Comunicações e Tecnologias da Informação pretende elevar as exportações de serviços de outsourcing para 6 mil milhões de dólares em 2026, face aos cerca de 5,2 mil milhões de dólares registados em 2025.
Num mercado global marcado pela escassez persistente de profissionais qualificados em inteligência artificial, cibersegurança e engenharia de software, o Cairo procura transformar a sua vantagem demográfica num motor de crescimento económico e reforçar a sua atratividade junto de multinacionais em busca de talento digital.
Samira Njoya (We Are Tech Africa)













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