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Burkina Faso quer integrar o empreendedorismo nos seus cursos universitários

Burkina Faso quer integrar o empreendedorismo nos seus cursos universitários
Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

Perante um mercado de trabalho que rejeita mais de um terço dos seus próprios diplomados, o Burkina Faso está a avançar com uma reforma estrutural do ensino superior. O objetivo é transformá-lo num verdadeiro motor de empregabilidade, indo além da simples emissão de diplomas.

O Burkina Faso deu um passo importante na reforma do seu ensino superior. O país pretende integrar o empreendedorismo como disciplina transversal obrigatória em todos os cursos de Licenciatura e Mestrado. Esta orientação resulta dos trabalhos de 36 comissões de peritos reunidas de terça-feira 9 a quinta-feira 11 de junho, no âmbito da Iniciativa Presidencial para uma Educação de Qualidade para Todos (IPEQ). A restituição dos trabalhos teve lugar na Universidade Joseph Ki-Zerbo, em Ouagadougou, sob a coordenação da Direção-Geral do Ensino Superior (DGeSup).

Formar diplomados capazes de criar, não apenas de procurar emprego

Segundo o comunicado oficial, o aspeto mais marcante desta reforma é a introdução de novas disciplinas transversais em todos os programas. O empreendedorismo está entre os módulos escolhidos, juntamente com o inglês, o desporto e as línguas nacionais. A formação cívica e patriótica completa o dispositivo.

Honorat Roger Charles Nébié, diretor de gabinete do ministro, explicou o objetivo, afirmando que esta revisão visa “endogeneizar e harmonizar o conteúdo do ensino superior no Burkina Faso”. Estes módulos tornam-se obrigatórios tanto nas instituições públicas como nas instituições privadas de ensino superior (IPES).

Esta ambição pedagógica está inserida numa lógica política assumida. Gnidouba Roger Lanou, diretor-geral do ensino superior, enquadra a reforma no decreto de 2018. Segundo ele, os currículos devem integrar “elementos de profissionalização” e “valores destinados a formar o cidadão de amanhã”.

Esta abordagem revela uma dupla ambição: por um lado, alinhar a formação académica com as exigências do mercado; por outro, construir um projeto de formação cívica alinhado com as orientações da transição política. No entanto, este objetivo confronta-se com uma realidade estatística difícil de ignorar.

Um paradoxo estrutural que a reforma pretende corrigir

A iniciativa surge num contexto em que o desfasamento entre formação e inserção profissional permanece elevado no Burkina Faso. O Instituto Nacional de Estatística e Demografia (INSD) documenta esta realidade. Segundo o seu Inquérito Nacional Semestral sobre o Emprego (ENES), a taxa de desemprego nacional era de 3,5 % em 2024. Contudo, este valor esconde dificuldades muito maiores para os diplomados do ensino superior.

O INSD mostra que o desemprego aumenta com o nível de escolaridade. Os diplomados do ensino superior apresentam uma taxa aproximadamente duas vezes superior à dos indivíduos com apenas ensino primário. Este paradoxo desenvolve-se num contexto económico dominado pela informalidade. O ENES indica que 93,5 % dos empregos eram informais em 2024, valor que subiu para 95,7 % no primeiro semestre de 2025.

Neste contexto, a simples revisão curricular não será suficiente para colmatar este desfasamento estrutural. Ainda assim, a introdução do empreendedorismo desde a Licenciatura representa um sinal de rutura com uma universidade historicamente pouco conectada ao mercado de trabalho. O impacto real da reforma dependerá da sua implementação pedagógica e dos recursos efetivamente mobilizados.

Félicien Houindo Lokossou

 

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