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Longe das grandes cidades, o Gana quer construir a sua universidade de engenharia

Longe das grandes cidades, o Gana quer construir a sua universidade de engenharia
Segunda-feira, 23 de Março de 2026

Perante um mercado de trabalho que tem dificuldades em absorver a sua juventude e regiões rurais há muito afastadas dos circuitos universitários, o governo ganês está a implementar uma reforma estrutural do ensino superior, apostando decididamente na descentralização.

No Gana, o Parlamento acaba de aprovar o projeto de lei que cria a Universidade de Ciências de Engenharia e Agronomia. Uma decisão que reflete uma clara vontade política de reorientar a formação superior para os setores estratégicos do país, longe das grandes cidades.

Segundo informações divulgadas na sexta-feira, 20 de março, pela imprensa local, o texto foi apresentado em segunda leitura pelo Ministro da Educação, Haruna Iddrisu (foto, à esquerda). Para ele, esta legislação vai além da simples criação de uma instituição: estabelece um quadro de governança, garante a liberdade académica, reforça a transparência financeira e promove a inclusão no sistema universitário ganês.

Três campi rurais, uma escolha deliberada

A Ghana Broadcasting Corporation (GBC) relata que a lei define Bunsu como campus principal, com locais complementares em Kenyasi e Acherensua — três localidades rurais, longe das metrópoles.

Este modelo multi-campus não é fruto do acaso. Segundo a Comissão Parlamentar de Educação, ele reflete uma política assumida de descentralização do ensino superior, pensada para:

  • Ampliar o acesso a zonas historicamente negligenciadas
  • Estimular o desenvolvimento económico local
  • Reduzir a pressão sobre habitação e serviços sociais nas grandes cidades

Um desequilíbrio bem documentado

Esta escolha visa responder a um desequilíbrio evidente. Acra, Kumasi e Takoradi concentram a maioria das universidades do país, públicas e privadas, deixando as zonas rurais praticamente à margem. Com uma taxa bruta de matrícula no ensino superior de apenas 22,1% em 2023, segundo o Banco Mundial, o Gana ainda está longe dos padrões regionais.

Um mercado de trabalho sobrecarregado

O desemprego juvenil é o cerne do problema. Segundo o Quarterly Labour Force Survey publicado pelo Ghana Statistical Service (GSS) em dezembro de 2025, a taxa de desemprego entre os jovens de 15-24 anos era, em média, 32,5%, chegando a 49,3% na região do Grande Acra no terceiro trimestre. Cerca de 21,5% dos jovens nesta faixa etária não estavam nem empregados, nem em formação, nem a estudar.

Estes números revelam sobretudo um fosso crescente entre a formação disponível e as necessidades reais da economia. O mesmo relatório do GSS indica que mais de 10% dos ativos empregados consideravam as suas qualificações superiores às exigências do seu posto, enquanto 15,7% se sentiam subqualificados — uma proporção particularmente preocupante nas zonas rurais.

Agricultura e desafios estruturais

A agricultura concentra todos estes desafios. Segundo o Banco Mundial, 35,37% dos ativos ganeses trabalhavam neste setor em 2023, mas este continua dominado por práticas tradicionais, devido à falta de técnicos e agrónomos formados para o modernizar. É precisamente este desafio estrutural que a nova universidade pretende enfrentar.

Félicien Houindo Lokossou

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