Há alguns anos, Kinshasa e o Cairo têm vindo a intensificar as suas relações bilaterais. O objetivo é aumentar o volume das suas trocas comerciais, ainda relativamente limitadas.
O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, e o seu homólogo egípcio, Abdel Fattah Al-Sissi, assinaram novos instrumentos de cooperação bilateral. A informação foi divulgada num comunicado publicado pelo Governo congolês na quarta-feira, 10 de junho.
«Trata-se do memorando de entendimento (MoU) sobre consultas políticas e diplomáticas; do Acordo para a criação de um pavilhão de cirurgia cardiovascular no Centro Hospitalar La Renaissance (antigo Hospital Mama Yemo); do memorando de entendimento (MoU) relativo à cooperação bilateral no desenvolvimento urbano e na gestão das cidades; e do protocolo de acordo para o reforço das relações bilaterais de investimento», especifica o comunicado.
Uma cooperação bilateral em plena intensificação
A assinatura teve lugar no âmbito da visita oficial de quarenta e oito horas do Chefe de Estado congolês, a convite do seu homólogo egípcio. Esta visita insere-se na dinâmica de reforço das parcerias da RDC em África. O país procura, de facto, atrair mais investimentos e conhecimento técnico para apoiar as suas ambições de desenvolvimento.
Desde 2019, as relações entre os dois países têm-se intensificado, com uma cooperação alargada a setores como a saúde, as infraestruturas, a energia, a formação técnica e a gestão urbana.
Esta dinâmica foi consolidada em novembro de 2024 com a assinatura de um acordo-quadro de parceria e a criação de um mecanismo que facilita a isenção de vistos para titulares de passaportes diplomáticos e de serviço, marcando uma etapa importante na aproximação bilateral.
No plano económico, Kinshasa e o Cairo procuram igualmente estruturar melhor as suas trocas comerciais. Um memorando de entendimento assinado em maio de 2025 prevê a criação de uma Câmara de Comércio RDC–Egito em Kinshasa, destinada a estimular o investimento e a apoiar as empresas em setores prioritários como as infraestruturas, a agricultura, as tecnologias e a indústria.
Apesar de as trocas comerciais continuarem limitadas, ambas as partes demonstram uma vontade comum de intensificar as suas relações económicas, ilustrada, nomeadamente, pela realização da primeira Semana Económica Egípcia em Kinshasa, em 2024. Para o Egito, esta aproximação faz parte de uma estratégia de expansão diplomática e económica na África Subsaariana.
Em 2024, as exportações egípcias para a RDC ascenderam a 17,1 milhões de dólares, registando uma diminuição e sendo compostas principalmente por produtos industriais. Por sua vez, a RDC exportou 662 milhões de dólares para o Egito, sobretudo cobre e outras matérias-primas minerais, segundo o Observatório da Complexidade Económica (OEC).
Carelle Yourann (estagiária)













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