O Parlamento do Gana adotou uma política nacional destinada a acelerar a constituição de reservas externas e a preservar a estabilidade económica a longo prazo. Esta decisão surge num contexto em que o cedi se valorizou mais de 40,7 % face ao dólar norte-americano em 2025.
O Gana pretende elevar as reservas internacionais do país para o equivalente a 15 meses de cobertura de importações até 2028, no âmbito de uma nova política denominada Ghana Accelerated National Reserve Accumulation Policy (GANRAP).
Segundo o comunicado do Ministério das Finanças, publicado na sexta-feira, 27 de fevereiro, a GANRAP foi adotada pelo Parlamento e visa reforçar as reservas financeiras do país e proteger a economia contra choques futuros. Trata-se do primeiro quadro nacional especificamente concebido para acelerar a acumulação de reservas externas e preservar a estabilidade económica a longo prazo.
«O objetivo é reforçar significativamente a posição externa do país, melhorar a estabilidade macroeconómica, consolidar a confiança dos investidores e aumentar a resiliência da taxa de câmbio», indica o comunicado.
Esta política, ancorada no ouro e orientada para reformas, permitirá igualmente reforçar a resiliência face às turbulências económicas globais. Segundo Cassiel Ato Forson (foto), ministro das Finanças do Gana, «a nova política marca uma mudança decisiva relativamente à dependência de empréstimos onerosos e de medidas de acumulação de reservas de curto prazo».
A informação surge num contexto marcado pela forte valorização do cedi em 2025: a moeda local ganhou 40,7 % face ao dólar norte-americano, tornando-se a divisa com melhor desempenho no continente e a segunda a nível mundial, depois do rublo russo.
A inflação, por sua vez, caiu para 3,8 % em janeiro de 2026, face a 23,5 % em janeiro de 2025, segundo dados do Ghana Statistical Service.
Embora superiores ao limiar habitual de três meses de cobertura das importações, as reservas internacionais brutas não garantem uma proteção adequada contra choques económicos e os seus impactos na taxa de câmbio.
O Ministério das Finanças sublinha que o país continua vulnerável a ciclos de abrandamento económico, à persistente incerteza global, à volatilidade dos preços das matérias-primas, a inversões nos fluxos de capitais, bem como a riscos climáticos e à insegurança regional.
Para aumentar as reservas e atingir os objetivos definidos, a GANRAP fixou uma meta operacional semanal de compra de ouro de cerca de 3,02 toneladas, o que deverá gerar receitas brutas anuais de 25,3 mil milhões de dólares.
Lydie Mobio













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