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Fils Industrias

Fils Industrias (866)

 

 
 

Lançada há um ano e meio, a refinaria deveria atingir a sua capacidade total no início de 2025. Contudo, as restrições no fornecimento de crude foram o principal obstáculo para alcançar esta meta.

Num comunicado de quarta-feira, 11 de fevereiro, a refinaria Dangote anunciou ter atingido um marco histórico, alcançando a sua capacidade nominal total de 650.000 barris por dia, tornando-se na primeira refinaria do mundo a atingir tal nível de produção numa única unidade. Este desempenho resulta da otimização da unidade de destilação de crude e do bloco de produção de gasolina, consolidando a estabilidade operacional da maior instalação de refinação de África.

O grupo lançou, de facto, uma série intensiva de testes de desempenho de 72 horas com o seu parceiro tecnológico UOP, para verificar a eficácia operacional e a conformidade de todos os parâmetros com os padrões mundiais. Segundo David Bird, diretor-geral da refinaria, a integração fluida e o desempenho das unidades de produção demonstram a resiliência e a engenharia avançada da instalação.

“As nossas equipas demonstraram uma precisão excecional para estabilizar a unidade de destilação de crude e a unidade de produção de gasolina. Esta fase de testes permite validar toda a refinaria em condições reais […] Este sucesso ressalta a qualidade técnica e a fiabilidade da operação, ao mesmo tempo que confirma o compromisso da refinaria em fornecer produtos refinados de alta qualidade, transformando o setor energético nigeriano e reduzindo a dependência das importações”, declarou o responsável.

Operação a 100 % da capacidade

As unidades de destilação e produção de gasolina, bem como as de tratamento de nafta, isomerização e reformador, funcionam agora a 100 % da sua capacidade nominal. As outras unidades de processamento da refinaria iniciarão os seus testes de desempenho na Fase 2 na próxima semana.

Produção otimizada que transformará o mercado e a economia

A refinaria forneceu entre 45 e 50 milhões de litros de gasolina por dia durante o período festivo recente. Estima-se que, com as atividades de destilação e produção de gasolina a operar plenamente, a refinaria possa agora fornecer até 75 milhões de litros por dia no mercado doméstico.

Os analistas consideram o projeto de 650.000 barris por dia como transformador para a Nigéria, capaz de gerar até 10 mil milhões de dólares em poupanças anuais em divisas, criar milhares de empregos, fortalecer o naira e melhorar a segurança energética regional. A redução das importações, que superavam 80 % dos produtos refinados, deverá estabilizar o fornecimento de combustíveis, limitar a volatilidade dos preços, acabar com escassez recorrente e dinamizar as indústrias a jusante, nomeadamente petroquímica e fertilizantes.

Em outubro do ano passado, Aliko Dangote, proprietário da refinaria, anunciou o projeto de expansão da capacidade para 1,4 milhões de barris por dia. Esta expansão apoiará novos investimentos petroquímicos, incluindo a produção de alquilbencenos lineares e óleos base, e aumentará a produção anual de polipropileno de 1 para 1,5 milhões de toneladas métricas.

A refinaria Dangote, agora a plena capacidade, abre caminho para um fornecimento nacional de combustíveis mais estável, ao mesmo tempo que apoia o desenvolvimento industrial e energético sustentável da Nigéria. Também reforça a posição do país nos mercados regionais e internacionais, oferecendo novas oportunidades para exportação de produtos refinados e crescimento económico.

Olivier de Souza

 

Posted On vendredi, 13 février 2026 10:55 Written by

Na RDC, onde o setor mineiro ocupa um papel central na economia, mas onde o acesso à eletricidade continua limitado, o recurso a soluções renováveis com armazenamento torna-se estratégico.

A Autoridade Reguladora do Setor Elétrico (ARE) da RDC anunciou na quarta-feira, 11 de fevereiro, que em início de janeiro emitiu dois pareceres favoráveis à CrossBoundary Energy para um projeto solar destinado a fornecer energia à mina de Kamoa, na província de Lualaba. Os pareceres referem-se, nomeadamente, à produção e comercialização da eletricidade gerada pela central.

Detalhes do projeto

Em abril de 2025, a Kamoa Copper S.A. e a CrossBoundary Energy assinaram um contrato de compra de eletricidade relativo a este projeto, que incluirá:

  • Uma central solar de 222 MWp, associada a um sistema de armazenamento por baterias de 123 MVA para 526 MWh.
  • O sistema deverá fornecer 30 MW de energia renovável controlável de forma contínua e produzir cerca de 000 MWh por ano.
  • A redução estimada de emissões é de 750 toneladas de CO₂ por ano.

A CrossBoundary Energy será proprietária e operadora da central, enquanto a Kamoa Copper pagará pela eletricidade consumida. O complexo mineiro, uma joint venture entre Ivanhoe Mines, Zijin Mining Group e o Estado congolês (que detém 20 %), apresenta uma capacidade de produção de cerca de 600.000 toneladas de cobre por ano.

Contexto energético

Segundo o Banco Mundial, a taxa de acesso à eletricidade na RDC era de 22 % em 2023, uma das mais baixas do continente, afetando tanto a população como setores económicos, como a indústria.

Neste contexto, o desenvolvimento de produção solar com armazenamento permite ao sítio de Kamoa-Kakula garantir um fornecimento elétrico contínuo, normalmente assegurado por energia fóssil, ao mesmo tempo que limita a dependência de uma rede nacional instável e limitada.

Além da segurança do fornecimento de eletricidade, o projeto contribui para a sustentabilidade ambiental do empreendimento cuprífero.

Abdoullah Diop

 

Posted On vendredi, 13 février 2026 10:53 Written by

Conectado ao sistema elétrico da África Ocidental, o Benim beneficia de intercâmbios regionais que contribuem para otimizar os custos e assegurar parte do seu abastecimento. Contudo, esta integração cria uma dependência que expõe a rede nacional a perturbações externas.

A Sociedade Beninense de Produção de Eletricidade (SBPE) e a Sociedade Beninense de Energia Elétrica (SBEE) anunciaram, na terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, «perturbações no fornecimento de energia elétrica observadas há várias semanas em todo o território».

Estas disfunções são atribuídas a «constrangimentos técnicos que afetam as interligações elétricas regionais, impactando temporariamente o equilíbrio e a estabilidade da rede nacional», indicam as duas empresas num comunicado conjunto.

Esta situação confirma um diagnóstico já estabelecido no «Pacto Nacional da Energia», publicado pelo Benim em setembro de 2025 no âmbito da Missão 300. O documento indica que as capacidades de produção nacionais são insuficientes, tornando o país fortemente dependente das importações e vulnerável a perturbações regionais.

Os dados da Agência Internacional da Energia (AIE) apontam no mesmo sentido. Em 2023, as importações líquidas de eletricidade representavam 83,3 % do consumo final de eletricidade. A produção nacional baseava-se maioritariamente no gás natural, que representou 69 % da eletricidade produzida nesse ano. Contudo, precisa o Pacto, o abastecimento de gás também está sujeito a constrangimentos técnicos.

Neste contexto, o Benim prevê, até 2030, adicionar 126 MWp de capacidade solar fotovoltaica e 265 MW de capacidade térmica adicional, com o objetivo de elevar a quota das energias renováveis para 30 % do mix elétrico. O país ambiciona igualmente aumentar a taxa de acesso à eletricidade para pelo menos 70 %, face a 42,6 % no final de 2024, ligando cerca de 928 000 novos agregados familiares. Além disso, aposta em capacidades de armazenamento de GNL para diversificar as fontes de abastecimento e reduzir a dependência das infraestruturas existentes.

Abdoullah Diop

Posted On jeudi, 12 février 2026 13:56 Written by

Se o Senegal conta hoje entre os produtores africanos de petróleo e gás, deve-o essencialmente às descobertas realizadas ao largo da sua costa. Até agora, as atividades de prospeção de jazigos comerciais de hidrocarbonetos concentraram-se principalmente no offshore.

Segundo declarações de Alioune Guèye (foto), diretor-geral da Petrosen, numa entrevista concedida à Bloomberg e divulgada na terça-feira, 10 de fevereiro, a companhia nacional vai destinar 100 milhões de dólares a uma campanha de prospeção petrolífera em onshore ainda este ano.

A empresa pública pretende conduzir estas operações de exploração por conta própria, com o objetivo de avaliar o potencial dos bacias terrestres do país e identificar novos jazigos comercialmente viáveis.

Contudo, este projeto ainda apresenta algumas incógnitas. Embora o lançamento esteja confirmado para 2026, o diretor da Petrosen não detalhou o calendário preciso nem as bacias geográficas visadas. Não foram também fornecidas informações sobre as modalidades de financiamento deste montante.

Regresso do Senegal à exploração onshore

A campanha terrestre anunciada pela companhia petrolífera pública do Senegal marca um regresso à exploração onshore após várias décadas de atividade limitada neste segmento.

Na história do setor sénégalês de hidrocarbonetos, a Petrosen já esteve associada a descobertas em terra. Como recorda o site oficial MSGBC Oil, Gas & Power, o campo de gás de Gadiaga, identificado em 1996, constitui um precedente.

Posteriormente, a maior parte dos esforços de exploração deslocou-se para as zonas offshore, o que levou, nomeadamente, à entrada em produção do campo petrolífero de Sangomar em 2024, bem como ao lançamento das exportações de gás natural liquefeito (GNL) associadas ao projeto Greater Tortue Ahmeyim (GTA).

O regresso da Petrosen à exploração terrestre ocorre num contexto de várias mudanças recentes no setor. Em outubro de 2025, a Agência Ecofin noticiou que as autoridades planeavam a construção de uma segunda refinaria destinada a processar o crude nacional, ao mesmo tempo que promoviam uma reforma do quadro legal de exploração de hidrocarbonetos no país.

Abdel-Latif Boureima

Posted On jeudi, 12 février 2026 13:54 Written by

Desde o fim da crise pós-eleitoral de 2010, o setor mineiro da Costa do Marfim entrou numa fase de crescimento, com a produção de ouro a mais do que decuplicar desde então. No entanto, os investimentos mobilizados até agora permanecem modestos face às ambições e ao potencial do país.

Nos últimos dez anos, a Costa do Marfim atraiu mais de 2 000 mil milhões de FCFA (3,6 mil milhões de USD) em investimentos mineiros. Este número, revelado durante a conferência Mining Indaba na África do Sul, evidencia a crescente importância do setor mineiro marfinense, mas continua aquém da meta governamental de mobilizar 11 400 mil milhões de FCFA até 2040.

Durante a conferência, que decorreu de 9 a 12 de fevereiro na Cidade do Cabo, a Costa do Marfim reuniu investidores internacionais para apresentar seus atrativos. Seydou Coulibaly, diretor-geral de Minas e Geologia do Ministério das Minas, destacou que os investimentos acumulados nos últimos dez anos resultam de fatores favoráveis: o potencial mineral do país com importantes depósitos de ouro e manganês, a estabilidade política, infraestruturas modernas e uma governança multipartidária transparente.

Estas qualidades renderam ao país reconhecimento internacional. O Fraser Institute classificou a Costa do Marfim como o melhor destino para investimento mineiro na África Ocidental em 2022 e 2023. Na conferência Africa Down Under, na Austrália, a Costa do Marfim foi até apontada como “o melhor lugar do mundo” para construir uma mina de ouro, segundo Justin Tremain, diretor-geral da Turaco, que desenvolve o depósito Afema, com mais de 100 toneladas de ouro.

Ambições elevadas

Atualmente, quatro minas de manganês, uma de níquel e uma de bauxita estão em operação, mas a maior parte dos investimentos nos últimos dez anos focou-se no ouro. Em 2010, o país contava apenas com quatro minas de ouro, produzindo cerca de 5 toneladas; em 2024, possui 13 minas, com produção aproximada de 60 toneladas. Apesar disso, as reservas auríferas continuam subexploradas, com potencial nacional estimado em 600 toneladas. Outros minerais, como coltan, lítio e cobre, ainda não estão explorados.

Para melhor aproveitar esse potencial, o governo lançou em dezembro último o plano PIRME (Política Integrada de Recursos Minerais e Energia), com orçamento de 38 000 mil milhões de FCFA (69 mil milhões USD) até 2040, dos quais 30% (20,7 mil milhões USD) serão destinados ao setor mineiro.

O objetivo é tornar a Costa do Marfim o maior produtor africano de ouro — atualmente, o país ocupava a 7ª posição em 2024, segundo o World Gold Council — e aumentar a contribuição do setor minas-energia para 14% do PIB até 2040, contra 7% em 2022.

Para atingir estas metas, o país moderniza o cadastro mineiro para reforçar a transparência e anuncia revisão do código mineiro, mas enfrenta desafios: será necessário equilibrar maior atratividade para investidores sem desencorajar investimentos, aprendendo com as tensões provocadas por revisões recentes nos códigos mineiros do Mali e Burkina Faso.

Emiliano Tossou

 

Posted On jeudi, 12 février 2026 10:29 Written by

Desde 2024, o grupo mineiro chinês Zijin Mining tem multiplicado os investimentos em ouro em África, nomeadamente com a aquisição da mina Akyem, no Gana. Esta dinâmica foi reforçada no início deste ano com o anúncio da compra da Allied Gold, operadora de várias minas na África Ocidental.

Numa nota publicada na segunda-feira, 9 de fevereiro, o grupo Zijin Mining elevou o seu objetivo de produção de ouro para um máximo de 140 toneladas até 2028, face à meta de 110 toneladas anunciada em 2024. Embora a empresa afirme querer acelerar a otimização das suas minas existentes, esta nova projeção reflete sobretudo a intensificação da sua expansão no setor aurífero africano nos últimos anos.

Historicamente ativo no cobre, através da mina congolesa Kamoa-Kakula, Zijin Mining iniciou em 2024 a sua entrada no ouro africano com a aquisição da mina Akyem, no Gana, por cerca de 1 mil milhões de dólares. Esta expansão consolidou-se em janeiro de 2026, com o anúncio de um acordo para adquirir a empresa canadiana Allied Gold, por 5,5 mil milhões de dólares. Esta última explora três minas na África Ocidental — Sadiola, no Mali, e Agbaou e Bonikro, na Costa do Marfim — e planeia abrir ainda este ano uma quarta mina, Kurmuk, na Etiópia.

Com um portfólio aurífero de mais de uma dezena de minas distribuídas principalmente na China, Papua-Nova Guiné e Colômbia, a Zijin produziu 90 toneladas de ouro em 2025. A produção deverá atingir 105 toneladas em 2026, aumentando significativamente até 2028, conforme o novo objetivo. A concretização desta meta dependerá do progresso dos investimentos e das operações de fusão e aquisição, incluindo a finalização da aquisição da Allied Gold, em curso através da nova subsidiária Zijin Gold, sujeita à aprovação dos acionistas da Allied, com previsão de conclusão para final de abril.

Esta operação poderá ter um impacto significativo na estratégia de Zijin, sublinhando o papel crescente de África na trajetória de produção de ouro do grupo.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Posted On jeudi, 12 février 2026 10:20 Written by

Em termos de volume, o Botsuana é o maior produtor africano de diamantes e o segundo a nível mundial. Embora este estatuto não esteja ameaçado a curto prazo pelo Angola, este último posiciona-se cada vez mais como um ator importante da indústria.

Esta semana, durante a conferência Mining Indaba na África do Sul, a ministra das Minas do Botsuana prometeu aumentar os investimentos públicos na exploração de outros minerais além dos diamantes. A mensagem transmitida por Bogolo Joy Kenewendo contrasta com o anúncio feito por Angola no mesmo evento, de um aumento significativo da sua produção de diamantes até 2027. A crise que atravessa o mercado diamantífero oferece, de facto, a Luanda a oportunidade de desafiar a liderança histórica de Gaborone neste setor em África.

Produção e crise do mercado

Em 2024, Angola já reduziu a diferença para o Botsuana, com 14,02 milhões de quilates extraídos, contra 18,12 milhões de quilates do Botsuana. Em comparação, a produção botswanesa do ano anterior (25,09 milhões de quilates) representava mais do que o dobro da produção angolana (9,75 milhões de quilates). Gaborone decidiu reduzir os volumes extraídos para fazer face à queda da procura e dos preços nos últimos três anos. Como reflexo desta crise, os estoques botswaneses atingiram 12 milhões de quilates no final de 2025, quase o dobro do máximo permitido (6,5 milhões).

Por seu lado, Luanda aposta em aumentar os volumes extraídos. Segundo uma brochura oficial distribuída na Mining Indaba, a companhia pública Endiama prevê que o país produza 17 milhões de quilates até 2027, um aumento de 12% em relação à produção de 15,2 milhões de quilates registada em 2025. Este aumento insere-se no plano nacional de desenvolvimento 2023-2027, que prevê a entrada em produção de vários projetos diamantíferos, incluindo a primeira mina do lote, Luele, aberta no final de 2023. Apresentada como a maior do país, esta mina possui recursos estimados em 628 milhões de quilates e uma vida útil projetada de 60 anos.

Angola aposta também na qualidade das suas pedras, comparáveis às do Botsuana. Apesar de menor em volume, a produção diamantífera angolana atingiu 1,41 mil milhões de dólares em 2024, contra 1,35 mil milhões de dólares do Botsuana.

Perspetivas sobre De Beers

O crescimento do setor diamantífero angolano deverá passar também pela transformação local. O plano de desenvolvimento prevê a construção de dezenas de fábricas e a criação de uma bolsa de diamantes, com o objetivo de ganhar participação nos segmentos a jusante da cadeia de valor. Luanda pretende ainda adquirir uma participação no gigante da indústria, De Beers.

Enquanto o grupo está à venda pelo proprietário Anglo American, Angola quer adquirir parte do capital, ao lado do Botsuana. Gaborone, já acionista com 15% da De Beers, deseja controlar totalmente um grupo que ainda retira 70% da sua produção do país da África Austral. Embora a ambição de Luanda possa entrar em conflito com a do Botsuana, existe outra via: a cooperação.

Segundo informações de outubro de 2025, Angola submeteu uma primeira oferta para adquirir uma participação majoritária, planeando fazê-lo através de um consórcio envolvendo outros produtores africanos, com uma participação prevista entre 20% e 30%. Negociações confidenciais estariam em curso com o Botsuana, África do Sul e Namíbia. «Adquirir uma participação majoritária em produtos de luxo é muito arriscado, pois depende do mercado […] Devemos, portanto, ser solidários e atuar como uma equipa», declarou Paulo Tanganha, diretor nacional de recursos minerais de Angola, à Reuters, na margem da conferência.

Impacto na economia angolana

Se uma melhoria das condições de mercado ampliar a diferença entre os volumes de produção do Botsuana e de Angola, os esforços de Luanda podem reforçar a contribuição dos diamantes para a economia nacional. Com uma iniciativa lançada em junho de 2025 para melhorar a imagem do diamante natural face aos diamantes sintéticos, Angola colabora com outros países africanos e atores da indústria para relançar a procura das pedras extraídas.

Mesmo não assumindo o papel central que os diamantes desempenham no Botsuana (um terço das receitas públicas e cerca de 75% das receitas em divisas), os diamantes podem reduzir a dependência de Angola do petróleo. Até 2050, Luanda pretende elevar a participação do setor mineiro para 2,3% do PIB angolano, contra 1,3% em 2022.

Emiliano Tossou

 

Posted On jeudi, 12 février 2026 10:18 Written by

Em muitos países africanos, o acesso a uma eletricidade fiável continua a ser um desafio. Um estudo publicado na revista científica Nature Energy sugere que o desenvolvimento da eletricidade limpa poderá favorecer a adoção de veículos elétricos.

Em África, possuir um veículo elétrico poderá tornar-se mais barato do que possuir um automóvel a gasolina até 2040. Esta é a conclusão de uma análise do MIT Technology Review, baseada no estudo intitulado «Battery-electric passenger vehicles will be cost-effective across Africa well before 2040», publicado na revista científica Nature Energy.

Os autores do estudo avaliaram o custo total de posse ao longo de toda a vida útil dos veículos, incluindo no cálculo o preço de aquisição, os custos de financiamento e as despesas com combustível ou carregamento. No caso dos veículos elétricos (VE), integraram também o custo de um sistema solar autónomo (off-grid), composto por painéis solares, baterias e um inversor. Impostos, direitos aduaneiros e subsídios não foram considerados, de modo a concentrar a análise apenas nos fundamentos económicos.

Este cálculo demonstrou a competitividade dos VE no continente, explicada, nomeadamente, pela redução contínua dos custos das baterias e pela disponibilidade de sistemas solares autónomos, que deverão desempenhar um papel determinante no carregamento. Isto é particularmente válido para os veículos elétricos de duas rodas, que poderão atingir a paridade de custos ainda mais cedo, antes do final da década.

A análise salienta que alguns mercados, como a África do Sul, as Maurícias e o Botsuana, já apresentam condições de financiamento próximas do limiar necessário para essa competitividade.

No entanto, atualmente, a taxa de adoção de veículos elétricos continua muito baixa. O MIT Technology Review indica que apenas 1% dos novos automóveis vendidos no continente em 2025 seriam elétricos. Redes elétricas por vezes instáveis, a falta de infraestruturas de carregamento e, sobretudo, os elevados custos do crédito constituem entraves significativos. Em vários países, o custo do financiamento pode ultrapassar o preço inicial do veículo, atrasando a transição económica, apesar da redução progressiva dos custos tecnológicos.

Abdoullah Diop

 

Posted On jeudi, 12 février 2026 09:21 Written by

Na corrida pelos minerais críticos africanos, as grandes potências avançam simultaneamente em conjunto e de forma dispersa, direcionando cada vez mais projetos para o continente. Enquanto Washington intensifica sua ofensiva sobre o cobre congoles, Bruxelas mira o grafite da Tanzânia.

Numa nota publicada nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, a mineradora australiana EcoGraf anunciou a assinatura de um acordo de cooperação com o Banco Europeu de Investimento (BEI), visando assistência técnica para apoiar seu projeto de implementação de uma cadeia de valor verticalmente integrada em torno do grafite de Epanko, na Tanzânia.

Esta iniciativa ocorre paralelamente às negociações da empresa com outro parceiro europeu, com o objetivo de mobilizar o financiamento necessário para o desenvolvimento da futura mina.

Segundo os planos da EcoGraf, o desenvolvimento de Epanko será realizado em várias fases, sendo a primeira voltada à produção de 73.000 toneladas de concentrado de grafite por ano. Uma segunda fase, focada na expansão da mina, elevará a capacidade de produção para mais de 300.000 toneladas.

A empresa negocia há alguns meses uma cobertura de crédito de 105 milhões de USD junto ao banco alemão KfW IPEC-Bank, para iniciar os trabalhos da primeira fase de exploração.

Com o BEI, a EcoGraf espera obter suporte para o desenvolvimento de estudos relacionados à expansão de Epanko, bem como para a instalação de uma fábrica de processamento de grafite na Tanzânia, anunciada em março de 2025, com um investimento estimado em 58,6 milhões de USD.

Por enquanto, os detalhes da cooperação com o BEI ainda precisam ser precisados, mas a EcoGraf esclarece que a iniciativa está alinhada com a estratégia da União Europeia para o desenvolvimento de cadeias de abastecimento de minerais para baterias da indústria europeia.

«O BEI tem o prazer de apoiar os trabalhos preparatórios que contribuem para o desenvolvimento de cadeias de valor responsáveis para matérias-primas críticas. Isso estimulará investimentos elegíveis potenciais dos setores público e privado, permitindo a implementação posterior de projetos sólidos, sustentáveis e de longo prazo», afirmou Andrea Clerici, diretor de atividades empresariais e globais do BEI.

A presença europeia no grafite de Epanko ocorre num contexto marcado pela aceleração das iniciativas ocidentais sobre minerais críticos africanos. Esta dinâmica é impulsionada principalmente pelos Estados Unidos, que, desejando reduzir a dependência chinesa dessas matérias-primas essenciais, especialmente para as indústrias de baterias e defesa, multiplicam os acordos na África — como demonstram os recentes desenvolvimentos sobre o fornecimento de cobre na RDC.

Além da Europa, a EcoGraf também conta com Washington. A empresa submeteu um white paper ao Departamento de Defesa dos EUA, buscando uma subvenção de 76,3 milhões de USD para apoiar o desenvolvimento de Epanko. Enquanto aguarda os resultados dessas iniciativas, a empresa continua avançando no projeto, com a publicação prevista ainda este mês de um estudo de viabilidade bancável atualizado.

Aurel Sèdjro Houenou

Posted On mercredi, 11 février 2026 11:29 Written by

Na África do Sul, grupos industriais como a Sasol estão a assumir um papel central na aceleração do desenvolvimento das energias renováveis, apoiando diretamente a criação de novas capacidades solares em grande escala.

O produtor independente de energia sul-africano SOLA Group anunciou, na segunda-feira, 9 de fevereiro, o fecho financeiro do projeto Naos‑1, uma central híbrida que combina energia solar fotovoltaica e armazenamento por baterias, destinada a fornecer eletricidade renovável aos grupos Sasol e Air Liquide através do mecanismo de wheeling na rede nacional.

Localizado próximo de Viljoenskroon, na província de Free State, o Naos‑1 terá uma capacidade de 300 MW (435 MWc) em solar, associada a 660 MWh de armazenamento em baterias. O projeto baseia-se em contratos de compra de energia de longo prazo assinados com Sasol e Air Liquide. A conceção híbrida permitirá armazenar a eletricidade solar produzida durante o dia para fornecimento nos picos de consumo, sobretudo à noite, garantindo energia controlável para os sites industriais. A entrada em operação comercial está prevista para o primeiro semestre de 2028.

«O Naos‑1 representa um avanço significativo para as energias renováveis controláveis no mercado privado de eletricidade na África do Sul e é fruto da nossa colaboração intensiva e inovadora com a Sasol e a Air Liquide ao longo de vários meses», declarou Jonathan Skeen, diretor comercial da SOLA Group. «O projeto insere-se nos objetivos da SOLA de transformar a energia solar em eletricidade acessível e disponível sob demanda para os nossos clientes.»

Apresentado como o maior projeto solar com armazenamento financiado por contratos privados a atingir o fecho financeiro na África do Sul, o Naos‑1 conta com apoio de instituições financeiras locais, incluindo a Development Bank of Southern Africa, e a sua construção será assegurada por uma joint venture entre SOLA Build e WBHO.

Este projeto integra-se numa estratégia mais ampla de descarbonização industrial. Em outubro de 2025, a Sasol e a Air Liquide inauguraram a central solar Damlaagte (97,5 MW), primeira instalação do programa conjunto de 900 MW de energias renováveis.

Paralelamente, a SOLA Group colocou em operação, antecipadamente, em 2025, a central Springbok (195 MW), considerada a maior instalação de wheeling operacional do país. Estes desenvolvimentos demonstram a crescente importância do wheeling como ferramenta central de fornecimento de eletricidade renovável para grandes consumidores industriais sul-africanos e evidenciam o sucesso da abertura do setor elétrico ao privado.

Abdoullah Diop

 

Posted On mercredi, 11 février 2026 10:31 Written by
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