Tal como a maioria dos tubérculos cultivados em África, a batata desempenha um papel estratégico na segurança alimentar, ao lado dos cereais, considerados alimentos de base. No continente, a sua produção concentra-se principalmente nos países do Norte e da África Oriental.
Em África, a produção de batata foi estimada em cerca de 34,2 milhões de toneladas em 2024, segundo dados compilados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Este volume representa aproximadamente 9% dos 390,4 milhões de toneladas produzidas a nível mundial nesse ano.
Por ocasião do Dia Internacional da Batata, aprovado pelas Nações Unidas para ser celebrado a 30 de maio de cada ano, eis um destaque para os 6 países africanos que mais produzem este tubérculo. Segundo a FAO, são os únicos no continente onde a colheita de batata é igual ou superior a 2 milhões de toneladas.
Egito
Em 2024, o setor da batata no Egito colheu 8,08 milhões de toneladas, segundo a FAO, tornando o país o maior produtor africano e colocando-o entre os 10 maiores produtores mundiais. O tubérculo ocupa cerca de 269 000 hectares, sendo cultivado sobretudo nos governadores de Beheira, Gharbia, Menofia e Sharkia, na região do delta do Nilo.
Devido ao seu preço acessível e ao elevado teor de hidratos de carbono, a batata é amplamente utilizada na culinária tradicional e na comida de rua, sendo um alimento de base para milhões de famílias, além de uma importante cultura comercial. O Egito é também o 4.º maior exportador mundial, atrás da França, Alemanha e Países Baixos.
Dados da plataforma Trade Map indicam que o país exportou cerca de 1 milhão de toneladas de batata em 2025, o que representa menos de 15% da sua produção anual.
Argélia
Segundo maior produtor da África do Norte neste ranking, a Argélia registou uma colheita de cerca de 4,5 milhões de toneladas de batata em 2024, de acordo com a FAO. A cultura ocupa mais de 135 000 hectares, sendo a principal hortícola de campo aberto do país.
As principais zonas de produção incluem Mascara, Mostaganem, Aïn Defla, Bouira, Skikda e El-Oued. Ao contrário do Egito, quase toda a produção destina-se ao consumo interno. O país é, aliás, o maior mercado africano para a batata, com compras superiores a 100 000 toneladas por ano.
Etiópia
Primeiro país da África Oriental neste ranking, a Etiópia produziu cerca de 4,1 milhões de toneladas de batata em 2024, em aproximadamente 332 000 hectares, segundo a FAO. A produção concentra-se nas regiões montanhosas de Oromia, Amhara, Sidama, sul da Etiópia e Tigré.
A oferta destina-se sobretudo ao mercado interno, impulsionada pela urbanização e pela mudança dos hábitos alimentares, com maior consumo de produtos transformados como batatas fritas e chips.
As exportações continuam reduzidas: menos de 70 000 toneladas por ano nos últimos cinco anos, ou menos de 2% da produção.
África do Sul
A principal economia da África Austral produziu 2,6 milhões de toneladas de batata em 2024, numa área de cerca de 70 000 hectares. Os investimentos em agricultura comercial e irrigação, bem como o desenvolvimento da indústria de sementes, impulsionaram a produção na última década.
A batata desempenha um papel importante tanto na segurança alimentar como nas exportações. A África do Sul é o segundo maior exportador africano, depois do Egito, com mais de 170 000 toneladas exportadas por ano nos últimos cinco anos.
Marrocos
A batata é uma das principais culturas agrícolas de Marrocos e ocupa a maior parte da superfície hortícola do país. Segundo a FAO, a produção atingiu 2,19 milhões de toneladas em 2024, em cerca de 67 000 hectares.
As principais zonas de cultivo incluem o vale do Loukkos, a região de Tânger-Tetuão-Al Hoceima, a planície de Doukkala e a faixa atlântica entre Kenitra e Agadir. A maior parte da produção destina-se ao consumo interno.
Quénia
A maior economia da África Oriental produziu 2,18 milhões de toneladas de batata em 2024, segundo a FAO, numa área superior a 225 000 hectares. A cultura concentra-se nos condados de Nakuru, Nyandarua, Elgeyo Marakwet, Meru e Narok.
Cerca de 90% da produção provém de pequenas explorações agrícolas. A procura crescente, impulsionada pela urbanização, tem sustentado o aumento da produção. O Quénia também se destaca nas exportações, com cerca de 120 000 toneladas anuais entre 2021 e 2025, sendo o terceiro maior exportador africano.
Stéphanas Assocle













Dakar, Senegal