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Algodão: suspensão de direitos de importação na Índia pode sustentar os preços mundiais.

Algodão: suspensão de direitos de importação na Índia pode sustentar os preços mundiais.
Segunda-feira, 1 de Junho de 2026

A Índia, segundo maior produtor mundial de algodão depois da China, desempenha também um papel central na comercialização da fibra. As medidas adotadas por Nova Deli para regular o mercado interno têm impacto direto na dinâmica do mercado mundial.

O governo indiano anunciou no sábado, 30 de maio, a suspensão, por um período de cinco meses, do direito aduaneiro de 11% aplicado às importações de algodão, medida válida até 30 de outubro de 2026. O objetivo é apoiar os fiadores e exportadores têxteis, que enfrentam pressões sobre os custos de produção e uma procura internacional elevada por produtos têxteis.

A medida visa facilitar o acesso a algodão de melhor qualidade, sobretudo para unidades orientadas para exportação, num contexto em que as cadeias de abastecimento globais continuam fragilizadas.

Segundo Vinay Kotak, citado pela Reuters a 31 de maio, esta janela tarifária poderá permitir a importação de cerca de 600 mil fardos de algodão, o equivalente a 130 636 toneladas, destinados principalmente às indústrias que necessitam de fibras menos contaminadas.

Um mercado global já sob pressão

Embora os volumes sejam relativamente limitados à escala mundial, a decisão surge num momento em que o mercado do algodão já enfrenta tensões entre oferta e procura.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o mercado global deverá registar um défice na campanha 2026/2027. A produção mundial deverá cair 5%, para cerca de 116 milhões de fardos, enquanto o consumo deverá aumentar 1,33%, atingindo 121,7 milhões de fardos — o nível mais alto dos últimos seis anos.

Este desequilíbrio deverá reduzir os stocks globais em 7%, para 71,8 milhões de fardos, diminuindo a margem de segurança do mercado e aumentando a sensibilidade às variações de oferta e procura.

Impacto potencial da decisão indiana

Ao reduzir o custo de acesso ao algodão importado, a medida indiana poderá aumentar marginalmente a procura internacional.

Os analistas apontam ainda que a necessidade de importações poderá crescer caso a produção interna seja afetada por condições climáticas, nomeadamente irregularidades da monção associadas ao fenómeno El Niño. Nesse cenário, não está excluída uma eventual extensão da janela de importação para além de outubro.

A Índia importou cerca de 2,2 mil milhões de dólares em algodão em 2025, segundo dados do Trade Map. Os principais fornecedores incluem Brasil, Estados Unidos, Austrália, China e vários países africanos.

A África representou cerca de 20% dessas importações, com cerca de 453 milhões de dólares, destacando-se países como Mali, Egito, Tanzânia, Costa do Marfim e Togo.

Para os exportadores internacionais, esta suspensão temporária de tarifas representa uma oportunidade limitada, mas relevante, para reforçar as vendas no mercado indiano, especialmente para produtores capazes de cumprir os requisitos de qualidade da indústria local.

Stéphanas Assocle

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