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Angola prevê aumentar a sua produção elétrica em 40% até 2027.

Angola prevê aumentar a sua produção elétrica em 40% até 2027.
Segunda-feira, 1 de Junho de 2026

Num contexto de crescimento demográfico, expansão do acesso à eletricidade e aumento das necessidades industriais na África Austral, os investimentos energéticos tornaram-se um fator central para o desenvolvimento e a integração regional.

Angola prevê aumentar a sua capacidade de produção de eletricidade de 6.400 MW para 9.000 MW até 2027, o que representa um crescimento de cerca de 40% em apenas dois anos. O objetivo foi anunciado na sexta-feira, 29 de maio, em Luanda, pelo secretário de Estado da Energia, Arlindo Carlos, à margem da 2.ª Conferência Internacional sobre Energia e Água.

Esta evolução deverá permitir ao país responder a uma procura em forte crescimento. Segundo as autoridades, a população angolana aumenta em mais de 1,5 milhões de habitantes por ano, o que intensifica as necessidades energéticas e reforça a urgência de acelerar os investimentos em infraestruturas elétricas.

Caculo Cabaça, pilar da estratégia energética

O principal motor deste plano de expansão é o projeto da central hidroelétrica de Caculo Cabaça, cuja conclusão está prevista para 2027. Localizada no rio Kwanza, a infraestrutura terá uma capacidade instalada de 2.172 MW e um custo de construção de 4,5 mil milhões de dólares. Será uma das maiores infraestruturas hidroelétricas da África Subsaariana, apenas atrás da Grande Barragem da Renascença, na Etiópia.

A importância deste projeto vai muito além do simples aumento da capacidade de produção. Trata-se de um dos pilares da estratégia energética nacional destinada a apoiar a eletrificação do país. Apesar dos progressos registados nos últimos anos, o acesso à eletricidade continua a ser desigual entre as diferentes regiões, sendo os centros urbanos significativamente melhor servidos do que muitas zonas rurais.

O desafio está igualmente ligado à transformação do mix energético. A energia hidroelétrica já representa cerca de 59% da capacidade de produção angolana, enquanto as centrais térmicas correspondem a 36%. As autoridades pretendem agora elevar a quota das energias limpas para 71% da produção nacional de eletricidade até 2027, nomeadamente através da entrada em funcionamento de Caculo Cabaça e do desenvolvimento gradual da capacidade solar.

Uma dinâmica de integração energética regional

Este aumento da capacidade poderá também reforçar o papel regional de Angola. Num momento em que vários países vizinhos enfrentam défices energéticos persistentes, Luanda procura valorizar os seus investimentos hidroelétricos para além do mercado interno.

A República Democrática do Congo está a avançar com um projeto de interligação elétrica destinado a importar energia angolana para abastecer a sua população e as suas indústrias. As autoridades congolesas estudam a possibilidade de transferir até 2.000 MW através de novas infraestruturas. Esta cooperação surge num contexto em que as necessidades energéticas do setor mineiro crescem mais rapidamente do que a capacidade nacional de produção.

Para Luanda, estas perspetivas abrem caminho à valorização de eventuais excedentes de produção, ao mesmo tempo que reforçam a integração económica regional. No entanto, a concretização do objetivo dos 9.000 MW dependerá da entrada efetiva em funcionamento da central de Caculo Cabaça e da capacidade do país para continuar a desenvolver as suas redes de transporte e distribuição de energia.

Se estas condições forem cumpridas, Angola poderá consolidar a sua posição entre os principais produtores de eletricidade da África Austral e ampliar a sua influência energética para além das suas fronteiras. Esta trajetória integra-se igualmente numa estratégia de segurança do abastecimento e de modernização progressiva do sistema elétrico nacional.

Olivier de Souza

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